Países da AIE liberam 400 milhões de barris das reservas estratégicas para tentar estabilizar preços

Robson Alves
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Uma coalizão de 32 nações integrantes da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiu, por unanimidade, colocar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas emergenciais no mercado. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (11) durante transmissão da Band com participação do diretor-executivo da entidade, Fatih Birol.

Birol afirmou que a medida pretende amenizar os efeitos imediatos da interrupção no suprimento global provocada pela guerra no Irã. Segundo ele, esse é o maior volume de reservas já liberado pela agência desde sua criação.

“Os 400 milhões de barris estarão disponíveis para compensar a perda de oferta resultante do fechamento efetivo do Estreito de Ormuz”, declarou o executivo. O estreito, rota por onde transitam cerca de 20 milhões de barris diários — aproximadamente 25% do comércio mundial de hidrocarbonetos —, foi bloqueado por Teerã em retaliação a ataques de Estados Unidos e Israel.

Mercado reage com alta

Mesmo após o anúncio, o Brent subia 4% na tarde desta quarta, mantendo-se 30% acima do patamar registrado antes do início do conflito. Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina aumentou US$ 0,60 por galão, alcançando US$ 3,50, a maior cotação desde maio de 2024.

Alcance e limitações

O volume autorizado pela AIE representa aproximadamente 20 dias de fluxo que normalmente cruza o Estreito de Ormuz. Do total de reservas mantidas pelos países-membros — cerca de 1,2 bilhão de barris —, um terço será colocado à disposição do mercado. Outros 600 milhões de barris pertencem a estoques industriais que devem permanecer intactos por obrigação legal.

A agência não fixou prazo para a liberação efetiva dos estoques. Cada país definirá, conforme suas circunstâncias internas, quando e como disponibilizar sua parte, podendo adotar medidas adicionais de emergência.

Análise de especialistas

Para Ticiana Álvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), o impacto da iniciativa tende a ser temporário. “A medida pode amortecer os efeitos no curto prazo, mas, se as tensões persistirem, o mercado de petróleo e gás poderá enfrentar pressões mais profundas”, afirmou à Agência Brasil.

Preocupação com o gás

A AIE também demonstrou apreensão quanto ao fornecimento de gás natural liquefeito (GNL), reduzido em 20% após a paralisação de embarques do Catar e dos Emirados Árabes Unidos. De acordo com Birol, países asiáticos de alta renda disputam cargas disponíveis com a Europa e outros importadores, agravando o cenário de escassez.

Situação no Estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária Islâmica voltou a ameaçar navios que atravessem o estreito em benefício dos Estados Unidos, Israel ou aliados. Autoridades iranianas afirmam ter atingido dois navios — um de propriedade israelense e outro de bandeira liberiana — que teriam tentado cruzar a passagem sem autorização.

Reação do G7

Diante da crise energética, o presidente francês, Emmanuel Macron, convocou reunião de emergência do G7 para discutir as consequências do conflito e a escalada dos preços. O grupo reúne Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Reino Unido, Alemanha e França.

Com a liberação recorde das reservas e o agravamento das tensões no Golfo, os observadores de mercado permanecem atentos aos próximos movimentos de produtores e consumidores globais de energia.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.