Órgãos do governo central e companhias estatais da China passaram a desaconselhar, nos últimos dias, a instalação do agente de inteligência artificial de código aberto OpenClaw em equipamentos de trabalho, segundo duas fontes com conhecimento direto do tema. A medida, relatada em meio a sucessivos alertas de autoridades reguladoras e veículos da mídia estatal, decorre do receio de que o software acesse, apague ou divulgue dados sensíveis sem autorização.
O OpenClaw, disponibilizado gratuitamente no GitHub em novembro de 2025 pelo austríaco Peter Steinberger, é capaz de executar uma série de tarefas de forma autônoma, indo além das respostas convencionais oferecidas por chatbots. No mês passado, Steinberger foi contratado pela OpenAI. Desde então, a ferramenta ganhou impulso entre desenvolvedores de tecnologia chineses, grandes empresas do setor e algumas administrações locais interessadas em modernizar processos produtivos.
Apesar do entusiasmo das comunidades de inovação, reguladores nacionais reforçaram que o uso do software pode representar risco cibernético. Uma das fontes afirmou que departamentos de estatais receberam determinação para não operar o programa, inclusive em dispositivos pessoais de funcionários. A segunda pessoa ouvida, que atua em um órgão do governo, relatou que, embora não exista proibição formal, servidores foram advertidos a evitar a instalação.
A orientação ocorre no momento em que Pequim promove o plano “IA Plus”, iniciativa destinada a impulsionar o crescimento econômico por meio da inteligência artificial. Especialistas avaliam que, diante do aumento das tensões geopolíticas, o governo intensificou a vigilância sobre possíveis fragilidades de segurança e proteção de dados.
O alcance exato das restrições ainda não foi detalhado e permanece incerto se elas afetarão incentivos financeiros já oferecidos por governos regionais a empresas que criam soluções baseadas no OpenClaw. Em algumas localidades, esses subsídios chegam a somas milionárias.
Na semana passada, um centro de pesquisa ligado à Comissão Municipal de Saúde de Shenzhen promoveu um treinamento voltado ao uso do software, reunindo milhares de participantes. No distrito de Futian, também em Shenzhen, autoridades locais chegaram a utilizar a ferramenta para desenvolver um agente de IA voltado a atividades administrativas de servidores públicos, conforme publicou o jornal estatal Southern Daily.
Procurados, a Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais da China e o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação não responderam até o fechamento desta reportagem. A informação sobre as novas recomendações foi divulgada inicialmente pela Bloomberg.
Com informações de G1
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