Resistência iraniana e alta do petróleo elevam pressão sobre EUA para encerrar conflito

Robson Alves
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TRANSMISSÃO: Record

A capacidade de reação militar e diplomática do Irã, somada às repercussões no mercado internacional de petróleo, tem levado a Casa Branca a buscar caminhos para terminar a guerra sem obter a desejada “mudança de regime” em Teerã. A avaliação é de analistas ouvidos pela Agência Brasil.

O cientista político e especialista em geopolítica Ali Ramos afirma que forças iranianas conseguiram degradar o sistema de radares dos Estados Unidos distribuído pelo Oriente Médio, o que reduziu a eficiência norte-americana na interceptação de mísseis. De acordo com imagens de satélite e vídeos analisados pelo jornal The New York Times, instalações no Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos sofreram avarias.

“Com a cobertura de radar comprometida, o tempo de alerta em Israel diminuiu e mais projéteis atravessam as defesas”, disse Ramos. Ele acrescenta que a ofensiva, aliada ao bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz e do Golfo de Omã, provocou perdas relevantes à cadeia global de petróleo, pressionando aliados de Washington.

Entre esses aliados está o Catar. O porta-voz da chancelaria catari, Majed al-Ansari, declarou que interromper os ataques e retomar negociações serviria “aos interesses dos povos da região, à paz e à segurança internacionais, além de fortalecer a estabilidade econômica mundial”.

Expectativa frustrada de troca de regime

Para Alexandre Pires, professor de relações internacionais do Ibmec São Paulo, o governo norte-americano contava com uma mudança rápida em Teerã após a morte do aiatolá Ali Khamenei. No entanto, a nomeação imediata de um novo líder supremo manteve intacta a estrutura política iraniana.

Pires lembra que a escalada nos preços do petróleo forçou o presidente Donald Trump a flexibilizar sanções contra a Rússia em busca de alívio no mercado energético. “O aumento do combustível dentro dos EUA preocupa o governo e seu eleitorado”, observou. Segundo o professor, o conflito, inicialmente projetado para durar pouco mais de um mês, já ultrapassa esse prazo sem perspectiva clara de vitória norte-americana.

Em entrevista à Fox News nesta terça-feira (10), Trump afirmou não estar satisfeito com o novo líder iraniano, mas admitiu “ser possível” negociar com Teerã.

Israel e divergências entre aliados

Pires avalia que Israel resiste a um cessar-fogo por ver na campanha uma oportunidade de enfraquecer o Irã. “Há sinais de discursos contraditórios entre Washington e Tel Aviv”, afirmou. Mesmo assim, o ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar, declarou nesta terça (10) que o país “não busca uma guerra sem fim” e que consultará os Estados Unidos “no momento adequado”.

Repercussões regionais

Ali Ramos sustenta que, ao resistir e atingir diversas bases norte-americanas, o Irã expõe fragilidades na proteção oferecida pelos EUA a seus parceiros no Golfo. “Os Emirados Árabes Unidos já fecharam um pacto de defesa com a Índia, enquanto a Arábia Saudita se aproxima do Paquistão”, disse o analista, indicando uma possível reconfiguração do equilíbrio de poder no Oriente Médio.

Para especialistas, a continuação do conflito sem vitória decisiva representaria revés simbólico para Washington e aceleraria o rearranjo de alianças militares na região.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.