Bombardeio a escola de meninas no Irã deixa 168 mortas no primeiro dia da ofensiva EUA-Israel

Robson Alves
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Um ataque aéreo a uma escola de educação infantil feminina em Minab, no sul do Irã, matou 168 crianças e feriu mais de 90, no sábado (28), data que marcou o início da guerra declarada pelos Estados Unidos e por Israel contra o país persa. A agressão, ocorrida durante o horário de aula, expôs de imediato o custo humano do novo conflito no Oriente Médio, especialmente para meninas e mulheres.

Três dias depois, na terça-feira (3), milhares de pessoas vestidas de preto acompanharam o velório coletivo. As imagens das valas alinhadas com caixões percorreram veículos de comunicação e redes sociais, gerando comoção internacional.

Apesar das críticas históricas ao governo iraniano, frequentemente alvo de sanções por violações de direitos humanos, analistas questionam a justificativa humanitária da ofensiva. A socióloga Berenice Bento, da Universidade de Brasília (UnB), observa que o bombardeio a uma escola infantil contradiz qualquer alegação de defesa de direitos.

No Irã, mulheres enfrentam regras como o uso obrigatório do hijab e restrições de mobilidade. Ainda assim, movimentos femininos se organizam há décadas, entre eles o “Mulher, Vida e Liberdade”, surgido em 2022 após a morte da estudante Mahsa Amini. “O povo iraniano deve decidir seu destino, não Washington ou Tel Aviv”, afirma a jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh.

Casos de ativismo reprimido incluem o da advogada Narges Mohammadi, ganhadora do Nobel da Paz de 2023 e atualmente presa. Pesquisas mostram, porém, avanços na alfabetização feminina: de cerca de 30% na década de 1970 para 85% nos anos 2000, segundo Banco Mundial e Unesco. A presença das mulheres nas universidades chegou a 60%, embora a participação no mercado de trabalho permaneça entre 15% e 20%.

Autoria sob investigação

A comunidade internacional condenou o bombardeio. O alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, cobrou apuração “rápida, imparcial e minuciosa”. Nem Estados Unidos nem Israel reconheceram envolvimento. A Casa Branca informou que analisa o episódio; o governo israelense declarou não ver “ligação” entre a tragédia e suas operações militares.

Reportagem do jornal New York Times, baseada em imagens de satélite e vídeos verificados, indica que a escola foi atingida por munição de precisão no mesmo período em que forças norte-americanas bombardeavam uma base naval da Guarda Revolucionária Islâmica próxima ao Estreito de Ormuz. Para o major-general português Agostinho Costa, a proximidade de alvos militares sugere possibilidade de erro de mira, apesar da tecnologia empregada.

Em entrevista, Berenice Bento mencionou a chamada Doutrina Dahiya, usada pelo Exército israelense, que prevê destruição maciça de infraestrutura civil para pressionar populações locais. Segundo a pesquisadora, a tática busca “não deixar pedra sobre pedra”, incentivando moradores a se voltarem contra autoridades domésticas.

Soraya Misleh acrescenta que bombardeios contra escolas, hospitais e redes de abastecimento em Gaza abriram precedente para ataques semelhantes em outros pontos da região. “As mulheres precisam de solidariedade, não de suposta salvação externa”, pontua.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.