O Tribunal de Justiça Desportiva do Estado de São Paulo (TJD-SP) determinou a suspensão de 12 jogos ao zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, por declarações machistas dirigidas à árbitra Daiane Muniz. A decisão foi tomada em sessão realizada na quarta-feira, 4 de março, e vale para compromissos organizados pela Federação Paulista de Futebol (FPF).
Além do gancho, o colegiado fixou multa de R$ 30 mil ao atleta. O episódio ocorreu em 21 de fevereiro, logo após a derrota do Bragantino para o São Paulo, válida pelo Campeonato Paulista, quando o defensor questionou publicamente a presença de uma mulher no comando da arbitragem de uma partida que, segundo ele, exigiria “outro perfil”.
Declarações no pós-jogo
Na saída de campo, em entrevista à TNT Sports, Gustavo Marques afirmou ser “inadequado” escalar mulheres para confrontos considerados decisivos contra clubes como São Paulo, Palmeiras ou Corinthians. O jogador chegou a dizer que “o sonho de chegar à semifinal” teria sido prejudicado pela atuação de Daiane Muniz, apesar de declarar “respeito às mulheres” logo em seguida.
Horas depois, já pela madrugada, o zagueiro usou as redes sociais para se desculpar. Ele alegou ter se manifestado “de cabeça quente” e prometeu aprender com o erro, dirigindo pedido de perdão à juíza e a todas as mulheres.
Repercussão imediata
A FPF divulgou nota classificando o discurso como “primitivo, machista, preconceituoso e misógino”. O texto ressaltou o orgulho da entidade em contar com 36 profissionais mulheres no quadro de arbitragem e anunciou que remeteria o caso ao TJD-SP, o que acabou ocorrendo.
Paralelamente, o Bragantino aplicou multa interna equivalente a 50% do salário do defensor e o retirou da relação para o confronto com o Athletico-PR pelo Campeonato Brasileiro. O clube informou que o montante será repassado à ONG Rendar, entidade que presta assistência a mulheres em situação de vulnerabilidade na região de Bragança Paulista.
Sanções desportivas e financeiras
Com o julgamento concluído, Gustavo Marques terá de cumprir os 12 jogos de suspensão em qualquer competição estadual disputada pelo Bragantino. O valor de R$ 30 mil deverá ser quitado conforme determina o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Não há, por ora, indicação de recurso por parte do jogador ou do clube.
O zagueiro segue liberado para atuar em torneios nacionais e internacionais, desde que não existam punições específicas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ou de outras entidades envolvidas. A diretoria do Massa Bruta não se pronunciou sobre eventual reintegração ao elenco para compromissos fora do âmbito paulista.
Com a decisão do TJD-SP, o caso encerra a esfera disciplinar estadual, mas amplia o debate sobre a participação feminina na arbitragem e a responsabilidade de atletas profissionais quanto a manifestações públicas. As próximas ações cabem agora ao Bragantino e ao próprio jogador, que ainda busca recuperar espaço no time após o episódio.
Com informações de Agência Brasil
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



