Desde o sábado, 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ofensiva contra o Irã após semanas de tensão diplomática, vídeos, fotos e textos passaram a inundar as redes sociais. Parte desse material retrata fatos confirmados; outra parte é composta por montagens digitais ou registros antigos fora de contexto. A seguir, veja o que realmente ocorreu e o que foi classificado como boato pelas verificações mais recentes.
Registros confirmados (#FATO)
Queda de três caças F-15 no Kuwait
Imagens divulgadas na segunda-feira (2) mostram aeronaves norte-americanas caindo em território kuwaitiano. Segundo o Exército dos EUA, os jatos foram abatidos por engano pelas forças locais no domingo (1º). O Ministério da Defesa do Kuwait confirmou o incidente e iniciou operações de busca e resgate; todos os pilotos se ejetaram a tempo.
Drone atinge prédio residencial no Bahrein
Vídeo distribuído já no sábado (28) registra o momento em que um drone militar atinge um edifício em Manama, capital do Bahrein. O Ministério do Interior do país árabe relatou danos em vários imóveis. O conteúdo foi autenticado por veículos de imprensa do Oriente Médio e dos EUA.
Iranianos comemoram em Milão
Nas redes, um vídeo de moradores de origem iraniana dançando na Via Monte Rosa, em frente ao Consulado Islâmico na capital da Lombardia, viralizou no domingo (1º). Publicada primeiro por uma iraniana que vive na cidade, a gravação mostra manifestantes com bandeiras do Irã, dos Estados Unidos e de Israel celebrando o que chamaram de “liberdade após 47 anos”. A localização foi confirmada pelo Google Maps.
Conteúdos fabricados ou enganosos (#FAKE)
Simulação de caça perseguido por mísseis
Circula desde domingo (1º) um clipe que supostamente mostraria um F-15 sendo atingido por mísseis iranianos. A gravação, porém, foi produzida por computador e publicada originalmente no canal do YouTube Creative Comparison.
Falsa venda de urânio do Brasil ao Irã
Publicações afirmam que o governo brasileiro teria fornecido urânio ao regime iraniano. A Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC) e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência reiteram que não há registro de qualquer transferência desse tipo.
Imagem do corpo do aiatolá Ali Khamenei
Uma foto do que seria o líder supremo iraniano morto em bombardeio foi analisada pelo SynthID Detector, ferramenta do Google que detecta marcas d’água digitais de conteúdo gerado por inteligência artificial. O resultado confirmou a criação sintética.
“Foto” de porta-aviões em chamas
Outra imagem viral afirmava mostrar o USS Abraham Lincoln sob ataque. Também submetida ao SynthID, foi classificada como 100% sintética.
Arranha-céu em chamas no Bahrein
O vídeo de um prédio alto pegando fogo numa rua movimentada do país foi produzido com IA, apontaram as plataformas Hive Moderation e Sight Engine, ambas com probabilidade superior a 99%.
Caixões de militares americanos
Um registro de 2011, referente à Guerra do Iraque, foi compartilhado como se mostrasse 560 militares mortos no atual conflito. A gravação original, de Patrick J. Hughes, documenta uma “transferência digna” realizada às 01h30 (horário de Brasília, UTC-3) em 8 de junho de 2011.
Vídeo de caminhão militar com míssil
A cena de um caminhão militar estampado com a bandeira do Irã — identificado na transmissão da Band como “um caminhão militar com a bandeira do Irã” — também recebeu o selo de conteúdo sintético do SynthID Detector, indicando criação por inteligência artificial do Google em todos os quadros analisados.
Suposto ataque ao Burj Khalifa
Clip de dez segundos mostrando o edifício mais alto do mundo em chamas recebeu nota de comunidade no X apontando desinformação. A Hive Moderation detectou 99,9% de chances de uso de IA. Não há relatos oficiais de danos ao Burj Khalifa.
Explosão “apocalíptica” no Irã
Imagens de um incêndio industrial compartilhadas nesta terça-feira (3) na verdade mostram o centro logístico da E-Land, destruído em 15 de novembro de 2025 em Cheonan, Coreia do Sul.
Com a rápida circulação de informações durante conflitos, checagens independentes continuam essenciais para evitar que montagens digitais ou gravações antigas sejam tomadas como fatos recentes.
Com informações de G1
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