Conectividade no Irã despenca a 1% após ofensiva militar de EUA e Israel

William Kevim
3 Min Leitura

A rede de internet do Irã opera com menos de 1% da capacidade normal desde o sábado (28), data em que Estados Unidos e Israel realizaram uma ofensiva contra o território iraniano. O colapso foi confirmado nesta segunda-feira (2) pela NetBlocks, organização que monitora o tráfego global de dados.

Segundo o grupo, cerca de 90 milhões de pessoas enfrentam dificuldades para acessar serviços on-line e se comunicar dentro e fora do país. A medida também impede a circulação de relatos sobre a situação interna num momento considerado decisivo, após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei em ataques aéreos conduzidos pelos dois aliados ocidentais.

O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, declarou à TV Globo no próprio sábado que o corte de conexão prejudica o diálogo com cidadãos brasileiros que vivem ou viajam pela região. “A diplomacia vem tentando contato por diversos canais, mas a internet está praticamente indisponível”, relatou o diplomata.

Restrição reiterada

Para a NetBlocks, o bloqueio se soma a uma série de interrupções promovidas periodicamente pelo regime iraniano. A organização lembra que, em janeiro deste ano, protestos antigovernamentais motivaram um apagão semelhante, também reduzindo a conectividade a 1% e afetando até sinais de satélite, como o da Starlink.

Em nota, o monitor apontou que a maioria dos países busca manter a rede em funcionamento durante conflitos internacionais, enquanto o Irã opta por “silenciar a própria população”. O texto ressalta que suspensões anteriores ocultaram graves violações de direitos humanos.

Histórico de cortes

Desde 2019, manifestações contra o governo costumam ser acompanhadas por restrição aos serviços digitais. Naquele ano, a primeira grande interrupção ocorreu após o aumento no preço dos combustíveis. Em 2022, a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente usar o véu islâmico de forma inadequada, desencadeou novo bloqueio. Na ocasião, muitos iranianos recorreram a terminais da Starlink, cuja utilização mais tarde foi declarada ilegal no país.

No ano passado, o governo acusou o WhatsApp de espionagem em favor de Israel, alegação refutada pela Meta sob argumento de que as mensagens são criptografadas de ponta a ponta.

Situação incerta da internet via satélite

Até o momento não há informação oficial sobre o desempenho atual da Starlink no território iraniano. Durante o blackout de janeiro, o serviço foi alvo de interferências que limitaram sua operação.

O NetBlocks segue monitorando níveis de conectividade e afirma que a recuperação depende de determinação política interna. Não há previsão de quando o acesso será restabelecido em todo o país.

Com informações de G1

Compartilhe essa Notícia
William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.