Hezbollah retoma ataques contra Israel e reacende confrontos no Líbano

Robson Alves
4 Min Leitura

O Hezbollah voltou a disparar mísseis e drones contra território israelense nesta segunda-feira (2), desencadeando uma nova escalada militar no Oriente Médio. Em reação imediata, as Forças de Defesa de Israel (FDI) bombardearam diferentes regiões do Líbano, inclusive bairros periféricos de Beirute, capital libanesa.

Primeiro ataque desde o cessar-fogo de 2024

Essa ofensiva é a primeira assumida pelo grupo xiita desde o cessar-fogo fechado em novembro de 2024. Apesar do acordo, Israel manteve operações pontuais em solo libanês, alegando necessidade de impedir a reestruturação militar do Hezbollah. O movimento armado classifica essas ações como violações sucessivas da trégua.

Justificativa do Hezbollah

Em comunicado, o Hezbollah informou ter mirado um sistema israelense de defesa antimísseis na cidade de Haifa. O texto define o lançamento dos projéteis como “legítima autodefesa” após 15 meses de ataques israelenses. A nota acrescenta que a investida também responde ao assassinato do aiatolá Ali Khamenei, atribuído pelo grupo a uma operação conjunta de Estados Unidos e Israel.

Reação de Israel

As FDI declararam que os foguetes do Hezbollah atingiram áreas civis e prometeram “cobrar preço alto” pela ofensiva. Segundo o Exército israelense, a primeira leva de bombardeios em Beirute e no sul do Líbano teve como alvos combatentes, quartéis-generais e infraestrutura considerada terrorista. Militares israelenses dizem estar organizando a retirada de moradores do sul libanês antes de novos ataques.

Posicionamento do governo libanês

O presidente do Líbano, Josefh Aoun, criticou o lançamento de mísseis a partir do território nacional, argumentando que a iniciativa sabota esforços para manter o país afastado de conflitos externos. Embora tenha condenado incursões israelenses em solo libanês, o chefe de Estado alertou que o Líbano corre risco ao servir de palco para guerras por procuração sem ligação direta com seus interesses.

Raízes da nova fase do confronto

A atual rodada de hostilidades teve início em 2023, quando o Hezbollah passou a atacar o norte de Israel em apoio aos palestinos durante a guerra na Faixa de Gaza. A resposta israelense incluiu o assassinato de líderes do movimento, entre eles o secretário-geral Hassan Nasrallah, causando perdas significativas ao grupo. Em seguida, foi negociado o cessar-fogo de 2024, jamais plenamente cumprido.

Panorama histórico

O embate entre Israel e Hezbollah remonta a 1978, ano em que tropas israelenses invadiram o Líbano na perseguição à resistência palestina. Nova invasão ocorreu em 1982, resultando na ocupação parcial de Beirute e do sul libanês até 2000. O Hezbollah nasceu nesse período, com apoio iraniano, para combater a presença israelense. Confrontos de grande escala voltaram a ocorrer em 2006, 2009 e 2011; o mais longo, em 2006, durou cerca de um mês e deixou mais de 10 mil civis mortos.

Sem sinal de recuo imediato de nenhuma das partes, a retomada das trocas de fogo nesta segunda-feira eleva a tensão regional e coloca em xeque novos esforços diplomáticos para restaurar a trégua.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.