Trump ordena que agências federais deixem de usar tecnologia de IA da Anthropic

William Kevim
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Washington, 27 de fevereiro de 2026 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou nesta sexta-feira (27) que todos os órgãos federais interrompam imediatamente o uso de qualquer solução de inteligência artificial desenvolvida pela Anthropic, empresa norte-americana responsável pelo modelo Claude, considerado concorrente do ChatGPT.

Em publicação na sua rede social, o chefe do Executivo afirmou que a decisão responde à recusa da companhia em permitir que seus sistemas sejam empregados para vigilância em massa de cidadãos e para a operação de armamentos totalmente autônomos. “Não permitiremos que a Anthropic dite como as Forças Armadas dos EUA devem agir. Essa escolha cabe aos comandantes nomeados por mim”, escreveu. Segundo Trump, a postura da empresa “coloca vidas americanas em risco, nossas tropas em perigo e ameaça a segurança nacional”.

Transição de seis meses

O presidente estabeleceu prazo de transição de seis meses para que departamentos como o Department of War — nome adotado pelo antigo Departamento de Defesa — substituam a tecnologia da Anthropic em todos os níveis. Trump também advertiu que poderá recorrer “a todo o poder da presidência” para forçar o cumprimento da ordem, prevendo “graves consequências civis e criminais” caso a companhia não colabore durante o processo.

Contrato de US$ 200 milhões sob ameaça

A Anthropic mantém desde 2025 um contrato de aproximadamente US$ 200 milhões com o Pentágono para fornecer modelos de IA destinados a diversas aplicações militares. De acordo com o The Wall Street Journal, o Claude foi utilizado pelo Exército dos EUA na operação que resultou na deposição do ditador venezuelano Nicolás Maduro no início deste ano.

Na quinta-feira (26), a empresa reafirmou que não permitirá o uso irrestrito de suas ferramentas pelo Department of War. “Essas ameaças não alteram nossa posição: não podemos, em consciência, atender ao pedido”, declarou a companhia em nota.

Ultimato e Lei de Produção de Defesa

O anúncio de Trump coincide com o término do prazo dado pelo governo para que a Anthropic aceitasse as exigências militares. O ultimato fora divulgado na terça-feira (24), após reunião entre o diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, e o secretário de Guerra, Pete Hegseth. Nessa ocasião, o Pentágono alertou que poderia recorrer à Lei de Produção de Defesa, que autoriza o governo federal a obrigar empresas a priorizarem demandas consideradas essenciais à segurança nacional.

Além da ameaça de ordem de cumprimento forçado, autoridades sinalizaram a possibilidade de rotular a Anthropic como “risco para a cadeia de suprimentos”, classificação normalmente reservada a companhias de países adversários. A medida poderia afetar a reputação da empresa no setor de defesa e comprometer futuros contratos federais.

Pontos éticos levantados pela Anthropic

Em declarações públicas, Dario Amodei tem repetido que a companhia traça uma “linha ética” contra o uso de IA para vigilância doméstica em massa e para sistemas letais sem supervisão humana. “O emprego desses sistemas para vigiar cidadãos americanos em larga escala é incompatível com valores democráticos”, disse o executivo. Ele acrescenta que as tecnologias atuais ainda não são confiáveis o bastante para exercer controle total de armas letais sem a decisão final de um operador humano.

Com a ordem presidencial formalizada, as agências federais iniciam agora o processo de substituição das ferramentas da Anthropic, enquanto a empresa avalia possíveis respostas legais e negocia com o governo para tentar manter parte dos contratos vigentes.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.