Ex-secretário afirma que versão da Câmara do PL antifacção poupa grandes líderes e tira verbas do combate ao crime

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O ex-secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, criticou nesta quinta-feira (26) o texto do Projeto de Lei Antifacção aprovado pela Câmara dos Deputados. Em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, o ex-gestor declarou que a proposta, se sancionada na forma atual, “alcançará apenas a base das organizações criminosas” e evitará atingir quem, segundo ele, “está no andar de cima”.

Sarrubbo explicou que a redação validada pelos deputados concentrou-se nos crimes violentos, deixando de fora políticos vinculados a facções e os responsáveis pelo financiamento das quadrilhas. “Era contra eles, os verdadeiros comandantes, que a gente queria avançar”, resumiu.

Fundo Nacional de Segurança esvaziado

Outro ponto alvo de críticas foi a retirada, pela Câmara, da cobrança sobre casas de apostas eletrônicas — as chamadas bets — que abasteceria o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP). O relator do projeto na Casa, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), suprimiu o dispositivo incluído anteriormente pelo Senado. De acordo com Sarrubbo, a medida poderia gerar cerca de R$ 30 bilhões destinados aos estados para ações de enfrentamento às facções.

“A Câmara não quis disponibilizar esses recursos por razões políticas”, afirmou. Ele reforçou que o dinheiro não ficaria com o governo federal, mas chegaria diretamente aos estados, fortalecendo investigações e operações.

Alvo financeiro na Faria Lima e em fintechs

O ex-secretário lembrou que a proposta original previa mecanismos para atingir o fluxo de dinheiro de grandes investidores que, segundo investigações recentes, colaboram com o crime organizado. Ele citou a Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, e empresas de tecnologia financeira como exemplos de locais onde estariam os recursos das facções.

“A Faria Lima não pega fuzil”, disse, mencionando a Operação Carbono Oculto, que identificou movimentações ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Para Sarrubbo, estrangular financeiramente essas organizações é passo fundamental antes de operações policiais em áreas dominadas pelas facções.

“A hora de subir o morro é depois de interrompermos o fluxo de dinheiro, quando eles estiverem sem fuzis, desorganizados e sem poder pagar seus olheiros”, completou. Ele defendeu ações com menor letalidade e maior eficiência a partir da asfixia econômica dos grupos criminosos.

O Projeto de Lei Antifacção ainda aguarda análise do Senado sobre as alterações feitas pelos deputados. Caso o texto retorne na forma aprovada pela Câmara e seja sancionado, as mudanças entrarão em vigor em todo o país.

Com informações de Agência Brasil

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