Governo Trump dá prazo final para Anthropic liberar IA Claude ao Exército dos EUA

William Kevim
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Washington – O Departamento de Guerra dos Estados Unidos estabeleceu prazo até esta sexta-feira (27) para que a Anthropic autorize o uso irrestrito de sua ferramenta de inteligência artificial pelo Exército norte-americano. A exigência foi comunicada pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth, ao diretor-executivo da companhia, Dario Amodei, segundo informou a agência Associated Press.

Contratos em risco

Hegseth advertiu que, caso a empresa não concorde em liberar o modelo Claude sem restrições, o governo Trump poderá cancelar todos os contratos federais da Anthropic e classificá-la como “risco à cadeia de suprimentos”. Esse enquadramento costuma ser aplicado a companhias chinesas e impede a participação em licitações, corta linhas de suprimento e impõe bloqueios de importação.

O Pentágono também considera acionar a Lei de Produção de Defesa (Defense Production Act), mecanismo que concede poderes emergenciais ao presidente para obrigar empresas a priorizar demandas militares. O descumprimento pode resultar em multas, sanções penais, perda de contratos e até intervenção direta.

Resistência ética

Fundada em 2021 por ex-pesquisadores da OpenAI, a Anthropic mantém política que proíbe usos violentos de seus sistemas. Amodei já alertou publicamente sobre riscos de drones armados autônomos e de vigilância em massa assistida por IA. Em ensaio recente, o executivo disse que “uma IA poderosa analisando bilhões de conversas de milhões de pessoas poderia detectar focos de deslealdade antes que cresçam”.

Mesmo assim, o modelo Claude foi empregado pelo Exército na operação que derrubou o ditador venezuelano Nicolás Maduro no início do ano, de acordo com o Wall Street Journal. Após o episódio, a empresa manteve a decisão de não permitir mira totalmente autônoma nem monitoramento doméstico de cidadãos norte-americanos, pontos considerados “linhas vermelhas” pela direção.

Pressão crescente

O governo Trump firmou em 2025 contratos de até US$ 200 milhões cada com Anthropic, Google, OpenAI e xAI. Entre as quatro, apenas a Anthropic ainda resiste a liberar a tecnologia para todas as aplicações consideradas legais pelo Pentágono. Em discurso no fim de janeiro, Hegseth declarou que descartarão “modelos que não permitam lutar guerras” e assegurou que a IA do Departamento de Defesa “não será woke”.

Na semana passada, Amodei foi convocado para reunião no Pentágono. Fontes ouvidas pela AP descrevem o encontro como cordial, mas marcado por impasse: a empresa não recuou quanto às restrições, e o Exército reiterou a necessidade de ferramentas sem limitações incorporadas, alegando que o uso seria regulado pelas próprias Forças Armadas.

Na quinta-feira (26), a rede CBS revelou que o Pentágono enviou uma “oferta final” à Anthropic para evitar sanções. Caso o entendimento fracasse, a empresa poderá perder o status de única fornecedora aprovada para redes militares classificadas, posição conquistada em 2024 durante o governo Joe Biden.

Debate sobre supervisão

Especialistas apontam que o confronto evidencia a falta de regras claras para sistemas de IA em operações de segurança nacional. Owen Daniels, do Centro para Segurança e Tecnologia Emergente da Universidade Georgetown, avalia que a postura da Anthropic coloca sua influência em risco, já que concorrentes aceitaram as diretrizes do Departamento de Defesa. Para Amos Toh, do Brennan Center da Universidade de Nova York, a rápida adoção de IA pelo Pentágono reforça a necessidade de maior supervisão legislativa, sobretudo se a tecnologia for aplicada em vigilância de cidadãos.

Até o momento, a Anthropic não se pronunciou publicamente sobre o ultimato. O prazo imposto pela administração Trump termina nesta sexta-feira.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.