A Casa das Culturas Populares, em São Cristóvão, abriu na última quarta-feira (25) a mostra fotográfica “Senhor dos Passos: a devoção de um povo”. A exposição reúne 15 imagens produzidas pelo fotógrafo Heitor Xavier e apresenta registros da tradicional Romaria do Senhor dos Passos, uma das maiores manifestações religiosas de Sergipe.
Organizada pela Fundação Municipal do Patrimônio e da Cultura (Fumpac), a iniciativa permanece aberta ao público até o início de abril. As fotos foram selecionadas pelas curadoras Rebeca Leão e Sandra Santana, que buscaram destacar cenas que evidenciam a fé, a emoção e os símbolos característicos do ritual católico. O conjunto conduz o visitante por expressões de penitência, promessas cumpridas, lágrimas, silêncios e gestos de gratidão observados durante a peregrinação.
A presidenta da Fumpac, Paola Santana, ressaltou que a mostra reforça o sentimento comunitário construído em torno da romaria. “Essas fotografias traduzem aquilo que muitas vezes não conseguimos colocar em palavras. É nesse encontro entre tradição e comunidade que fortalecemos nosso sentimento de pertencimento. As fotos transmitem essa devoção de forma profunda e sensível”, afirmou.
Objetos de fé complementam a exposição
Além das fotografias, o espaço exibe ex-votos — pequenas peças oferecidas pelos fiéis como agradecimento por graças alcançadas ou como pedidos de intercessão. Os objetos, frequentemente associados a desafios de saúde, conquistas materiais ou metas pessoais, ajudam a contextualizar a dimensão espiritual do evento retratado.
Romaria ultrapassa um século de história
A Romaria do Senhor dos Passos acontece há mais de 100 anos e, desde 2015, é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe. A celebração ocorre sempre no segundo fim de semana da Quaresma e mobiliza mais de 70 mil devotos, transformando a cidade histórica em um cenário que lembra, simbolicamente, a Jerusalém bíblica.
Segundo a tradição oral, a origem da devoção remonta ao achado de uma caixa nas margens do rio Paramopama por um pescador anônimo. Dentro dela havia uma imagem em tamanho natural de Cristo ajoelhado e carregando a cruz, acompanhada da inscrição: “Para a cidade de São Cristóvão d’El Rey”. O artefato foi conduzido à Igreja da Ordem Terceira do Carmo, onde passou a ser venerado e deu início à romaria preservada até hoje.
Com registro fotográfico sensível e peças que simbolizam promessas e agradecimentos, a mostra oferece ao público a oportunidade de compreender a profundidade da fé que movimenta a população sergipana.
Com informações de Jornaldodiase
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