O ano de 2025 terminou com 129 profissionais de imprensa mortos no exercício da atividade, o maior número já registrado pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) desde o início da série histórica, há mais de 30 anos.
O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (25), aponta que 86 dessas mortes – cerca de dois terços do total – são atribuídas às Forças de Defesa de Israel. O CPJ destaca que a escalada ocorre em meio à intensificação de conflitos armados ao redor do mundo e a uma cultura persistente de impunidade para ataques contra a imprensa.
Conflitos concentram a maioria das vítimas
Dos 129 assassinatos, 104 ocorreram em zonas de conflito. Cinco países concentram 84% dos casos: Israel (86), Sudão (9), México (6), Rússia (4) e Filipinas (3). O relatório frisa que, embora Ucrânia e Sudão tenham registrado aumento de mortes, a maior parte das vítimas era palestina.
Entre os casos citados estão os palestinos Hossam Shabat, de 23 anos, correspondente da Al Jazeera morto em março perto do hospital Beit Lahia, no norte de Gaza, e Anas al-Sharif, assassinado em agosto após alertar que sofria ameaças reiteradas. Al-Sharif morreu ao lado de outros três colegas da Al Jazeera e dois profissionais freelancers durante ataque a uma tenda de imprensa próxima ao Hospital Al-Shifa.
Primeiro ano com mortes por drones
O CPJ registrou ainda 39 jornalistas mortos por ataques com drones, número que saltou de duas ocorrências em 2023. A organização sublinha que 2025 foi o primeiro ano em que documentou formalmente assassinatos de jornalistas provocados por drones — informação descrita na transmissão oficial do relatório como um recorde (“TRANSMISSÃO: do foi o primeiro em que o CPJ assassinatos de jornali | Record”). Na guerra Rússia-Ucrânia, todos os quatro jornalistas mortos naquele front foram atingidos por aeronaves não tripuladas russas.
Impunidade alimenta novos ataques
Para o CPJ, o índice elevado de impunidade permanece como principal fator de incentivo aos crimes. A entidade lembra que poucos inquéritos transparentes são concluídos e que a falta de responsabilização “cria terreno fértil” para novos assassinatos, inclusive em países sem conflito declarado. México, Índia, Bangladesh e Colômbia são citados como exemplos de nações onde ao menos um jornalista é morto anualmente há vários anos.
A presidente do comitê, Jodie Ginsberg, afirma que as mortes acontecem justamente quando o acesso a informações confiáveis se faz “mais importante do que nunca”. Segundo ela, ataques à imprensa são indicativos de violações a outras liberdades civis, e a proteção aos profissionais deveria ser prioridade.
Direito internacional violado
O relatório reafirma que jornalistas são considerados civis pelo direito internacional humanitário e que alvos deliberados constituem violação dessa norma. O documento cobra medidas governamentais urgentes para garantir segurança, investigar crimes e punir responsáveis.
O CPJ conclui que, sem ações concretas, a tendência de aumento nas mortes de profissionais de imprensa pode se intensificar, criando vazio informativo em regiões críticas e comprometendo o direito da sociedade à informação.
Com informações de Agência Brasil
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