Grupos nazistas usam códigos e tendências para driblar moderação e propagar ódio no TikTok

William Kevim
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Uma investigação do g1 identificou que contas neonazistas e supremacistas recorrem a códigos, hashtags e até “trends” para divulgar conteúdo de exaltação a Adolf Hitler e ao nazismo no TikTok sem serem detectadas pelos filtros da plataforma. O levantamento durou quatro semanas, a partir do fim de janeiro, e mapeou 62 perfis com postagens de apologia, prática considerada crime no Brasil.

Como o material foi rastreado

O monitoramento começou após a denúncia de um leitor, mantido em sigilo por questões de segurança. Depois que o denunciante acessou um dos vídeos, o próprio algoritmo do TikTok passou a recomendar novos conteúdos semelhantes na aba “For You”. Em menos de três dias de observação, o feed já exibia regularmente fotos, memes e vídeos que elogiavam o regime nazista.

Códigos e “dog whistles”

Segundo as pesquisadoras Liriam Sponholz, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais (INCT-DSI), e Yasmin Curzi, da Fundação Getulio Vargas, os grupos utilizam sinais de duplo sentido – conhecidos como dog whistles – para escapar da moderação. Eles evitam termos diretos como “Hitler” ou símbolos proibidos, substituindo-os por emojis, siglas e datas associadas à ideologia extremista. Esse expediente permite negação plausível, dificultando a responsabilização jurídica.

Perfis localizados em vários países

Embora muitas postagens estejam em português, a origem dos perfis não é indicada pelo TikTok. Dados da plataforma independente tikip.us sugerem que 15 das 62 contas investigadas estariam no Brasil. As demais estariam espalhadas por Estados Unidos, Alemanha, Polônia, Belarus, Reino Unido, Arábia Saudita e outros.

Exemplos de publicações

Entre os casos analisados, um carrossel de fotos trazia a frase “because I remember you” sobre a imagem de Hitler, atraindo comentários como “meu herói” e “meu líder”. Em outra tendência, usuários faziam referências à morte do ditador em 30 de abril de 1945, tratando o episódio de forma positiva. Um desses vídeos, publicado em junho de 2025, acumula 371 mil visualizações e 46 mil curtidas.

Apesar do esforço para disfarçar, o g1 também encontrou material abertamente nazista. Um vídeo mostra um homem dançando enquanto uma suástica gira ao fundo; o mesmo perfil exibe a frase “White Power” na biografia. Outro registro reúne a águia imperial nazista, a cruz de ferro e o texto “um dia as pessoas vão perceber que ele estava certo”, com mais de 51 mil visualizações.

Alcance nos comentários

Além dos próprios vídeos, os perfis propagam discurso de ódio nos comentários. Imagens de Hitler acompanhadas da expressão “Absolute cinema” aparecem como memes, e o símbolo de uma caveira ligado às unidades responsáveis por campos de concentração é recorrente. Em testes, essas publicações surgiram repetidamente no feed em poucos minutos de navegação.

Legislação brasileira

No Brasil, a Lei 7.716/1989 prevê reclusão de um a três anos e multa para quem induz ou incita discriminação racial, religiosa ou étnica; a pena sobe para até cinco anos quando o crime ocorre por meio de rede social. Fabricar, comercializar ou exibir símbolos como a suástica para divulgar o nazismo também rende reclusão de dois a cinco anos. A Constituição considera o racismo crime imprescritível e inafiançável.

Posicionamento do TikTok

Procurada, a rede social afirmou ter removido os conteúdos indicados por violarem suas Diretrizes da Comunidade, que proíbem discurso ou comportamento de ódio, alegações de supremacia e o uso de símbolos associados a movimentos extremistas. A empresa informou que 98,8% das publicações removidas no terceiro trimestre de 2025 foram identificadas de forma proativa e que seus analistas recebem treinamento constante para detectar novas tendências de ódio.

Apesar disso, pesquisadores alertam que a estratégia de codificação continua permitindo que material neonazista circule e alcance novos públicos antes de ser retirado. Para Liriam Sponholz, a dificuldade em comprovar a intenção não pode justificar a permanência de conteúdos que façam apologia ao nazismo, prática enquadrada como crime no país.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.