O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os países em desenvolvimento têm condições de “mudar a lógica econômica” vigente. A declaração foi feita na madrugada deste domingo (22), pouco antes de o chefe do Executivo brasileiro deixar Nova Délhi, na Índia, rumo a Seul, na Coreia do Sul, última etapa da viagem asiática iniciada na terça-feira (17).
Em entrevista coletiva, Lula lembrou as dificuldades históricas enfrentadas por nações menos desenvolvidas ao negociar com potências e defendeu a formação de blocos. “Países como Índia, Brasil, Austrália e outros do Sul Global precisam estar juntos, porque na negociação direta com superpotências a tendência é perder”, disse. Para ele, a união de economias emergentes permitiria romper heranças de 500 anos de colonialismo “tecnológico e econômico”.
Brics em expansão
O presidente citou o Brics como exemplo de iniciativa capaz de sustentar uma nova dinâmica econômica. Segundo Lula, o grupo “está ganhando uma cara” após a criação do Novo Banco de Desenvolvimento. Ele reconheceu a preocupação dos Estados Unidos – “na verdade com a China”, observou – e negou pretensão de estabelecer uma moeda própria. “O que defendemos é o comércio em moedas locais para reduzir dependências e custos”, esclareceu.
ONU e crises internacionais
Ao tratar de governança global, Lula reforçou a necessidade de fortalecer a Organização das Nações Unidas. Relatou ter telefonado “para quase todos os presidentes” a fim de discutir respostas às crises na Venezuela, em Gaza e na Ucrânia. “Não se pode permitir que, de forma unilateral, nenhum país interfira na vida de outros”, declarou, cobrando mais representatividade para o organismo.
Relação com os Estados Unidos
Questionado sobre Washington, Lula afirmou que o Brasil está disposto a cooperar no combate a organizações criminosas transnacionais, desde que haja interesse recíproco. “Se o governo dos EUA estiver disposto, estaremos na linha de frente, inclusive pedindo a extradição de criminosos brasileiros que lá se encontram”, afirmou. Ele pretende discutir o papel norte-americano na América do Sul em próxima reunião com o presidente Donald Trump, ressaltando que a região é pacífica e desprovida de armamento nuclear.
Parceria com a Índia
Durante a estadia em Nova Délhi, Lula classificou como “extraordinária” a conversa com o primeiro-ministro Narendra Modi, centrada no aprofundamento de laços comerciais. Empresários indianos manifestaram intenção de ampliar investimentos no Brasil. O presidente reiterou que o país aceita a exploração de minerais críticos e terras raras, desde que o beneficiamento ocorra em território nacional: “O processo de transformação precisa acontecer no Brasil”.
Próximos compromissos
Lula desembarca neste domingo (22) em Seul para a primeira visita de Estado ao país asiático. A agenda inclui a assinatura do Plano de Ação Trienal 2026-2029, que deve elevar o relacionamento bilateral ao status de parceria estratégica. Esta será a terceira vez que o dirigente brasileiro visita a Coreia do Sul.
Com informações de Agência Brasil
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