A Associação Internacional de Surfe (ISA, na sigla em inglês) divulgou nesta sexta-feira (20) o novo quadro de classificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, marcados para 2028. A principal alteração atinge diretamente a Liga Mundial de Surfe (WSL): o circuito de elite, que concedia 18 lugares nas duas últimas edições olímpicas, agora oferecerá apenas dez, sendo cinco para homens e cinco para mulheres, com limite de um atleta por país.
Em Tóquio 2021 e Paris 2024 o ranking da WSL garantiu dez vagas masculinas e oito femininas, admitindo até dois surfistas de uma mesma nação em cada gênero. Pelas novas regras, o corte acontecerá em meados de junho de 2028, cerca de um mês antes do início da Olimpíada nos Estados Unidos.
Impacto imediato para o Brasil
No circuito de 2023, dois brasileiros figuraram entre os cinco primeiros: o paranaense Yago Dora, campeão, e o potiguar Ítalo Ferreira, quarto colocado. Sob o formato anterior, ambos já estariam garantidos. Com o novo limite, apenas Dora entraria na lista da WSL.
Mais espaço nos eventos da ISA
Para compensar a diminuição de vagas no tour mundial, a ISA ampliou a participação de seus próprios torneios. Os Jogos Mundiais de Surfe (ISA Surfing Games) de 2028 distribuirão dez vagas por gênero, também limitadas a uma por país. Além disso, as nações que obtiverem o melhor desempenho nas edições de 2026 e 2027 receberão um lugar extra.
Na Olimpíada de Paris, o ISA Surfing Games do ano olímpico valia sete vagas masculinas e sete femininas — seis individuais e uma reservada ao país campeão do torneio. O Brasil aproveitou esse benefício em ambas as categorias, levando ao total seis representantes (três homens e três mulheres), número recorde na ocasião.
Outros caminhos para Los Angeles
Além do ranking da WSL e dos campeonatos da ISA, os surfistas poderão carimbar passaporte via torneios continentais. Para os brasileiros, a oportunidade será nos Jogos Pan-Americanos de 2027, em Lima (Peru); o campeão de cada gênero garante vaga direta. Los Angeles ainda terá lugares universais: um reservado ao país-sede e outro destinado a uma nação em desenvolvimento na modalidade.
Retrospecto olímpico brasileiro
O Brasil soma três medalhas em apenas duas participações olímpicas no surfe, a melhor marca entre todos os países. Ítalo Ferreira inaugurou o quadro em Tóquio 2021 com o ouro masculino. Três anos depois, em Paris, o paulista Gabriel Medina arrebatou o bronze, enquanto a gaúcha Tatiana Weston-Webb conquistou a prata feminina.
Com o novo sistema, a seleção brasileira terá de diversificar as rotas de classificação, apostando não só na WSL, mas também nos Surfing Games e no Pan-Americano de Lima para manter a tradição de pódios na estreia do esporte em solo norte-americano.
Com informações de Agência Brasil
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