Greve geral na Argentina leva Latam a ajustar horários de voos

Robson Alves
3 Min Leitura

Os voos da Latam com origem ou destino à Argentina foram reprogramados nesta quarta-feira (19) em razão da greve geral convocada por centrais sindicais no país vizinho.

Segundo comunicado do grupo aéreo, a medida tornou-se necessária após a Intercargo – empresa responsável pelos serviços de rampa em todos os aeroportos argentinos – confirmar adesão integral à paralisação por meio de seus sindicatos. Com isso, partidas e chegadas podem ocorrer em horários diferentes dos inicialmente previstos ou até ser transferidas para outra data, ainda que, em muitos casos, o voo não chegue a ser cancelado.

A companhia orienta que os passageiros consultem o status de suas viagens antes de se deslocar para os terminais. Quem for impactado pelas mudanças tem duas opções: remarcar a passagem, sem cobrança de multa ou diferença tarifária, para qualquer data dentro de um período de 12 meses a partir do dia originalmente marcado, ou solicitar o reembolso integral do valor pago.

Greve nacional de 24 horas

A paralisação foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e teve início às 0h desta quarta-feira. A mobilização deve se estender até a meia-noite de quinta-feira (20) em protesto contra o projeto de reforma trabalhista aprovado pelo Senado argentino na semana passada. A proposta começou a ser analisada, no mesmo dia, pela Câmara dos Deputados.

O texto em debate prevê, entre outros pontos, flexibilização de férias, adoção de jornadas de até 12 horas e exclusão de determinados bônus do cálculo das indenizações, com o objetivo declarado de reduzir custos para os empregadores, ampliar a segurança jurídica e incentivar a formalização de postos de trabalho. O governo argentino espera concluir a tramitação até 1º de março. Já a CGT alega que as mudanças colocam em risco direitos consolidados, incluindo o de greve.

Antes mesmo do início oficial da paralisação geral, atividades de exportação de grãos e derivados estavam suspensas desde a madrugada devido a um protesto de 48 horas organizado por sindicatos marítimos. A interrupção afetou atracação, desatracação, condução de práticos e outros serviços na área portuária de Rosário, um dos maiores polos agroexportadores do planeta.

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Processadora de Oleaginosas (SOEA), que atua em San Lorenzo – região que concentra grande parte das usinas de soja argentinas –, também parou nesta quarta. A Argentina é a principal exportadora mundial de óleo e farelo de soja, e a mobilização pode provocar atrasos no cumprimento de contratos internacionais.

No setor aéreo, a recomendação geral é que passageiros monitorem constantemente eventuais atualizações de horário, já que o cenário pode mudar ao longo do dia conforme a adesão de diferentes categorias profissionais à greve.





Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.