LOS ANGELES, 18 de fevereiro de 2026 – O presidente-executivo da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, negou nesta quarta-feira que o Facebook e o Instagram sejam desenvolvidos para criar dependência entre crianças e adolescentes. O depoimento ocorreu diante de um júri estadual na Califórnia, no primeiro processo nos Estados Unidos que o coloca pessoalmente no centro de acusações de que as redes sociais prejudicam a saúde mental de usuários jovens.
O julgamento
A ação foi movida por uma mulher californiana que começou a usar Instagram e YouTube quando ainda era criança. Ela sustenta que Meta e Google lucraram ao estimular hábitos compulsivos, contribuindo para depressão e pensamentos suicidas. Tanto Meta quanto Google rejeitam as acusações e apontam recursos implementados para reforçar a segurança de menores.
Antes de o caso chegar ao tribunal, Snap e TikTok fecharam acordos extrajudiciais com a autora. O processo em Los Angeles é considerado um teste para centenas de ações semelhantes contra grandes empresas de tecnologia nos EUA.
Debate sobre usuários menores
Questionado pelo advogado Mark Lanier, Zuckerberg reafirmou declarações dadas ao Congresso em 2024 de que usuários com menos de 13 anos não são permitidos nas plataformas da Meta. Lanier apresentou, porém, documentos internos, entre eles uma apresentação de 2018 do Instagram afirmando: “Se quisermos ter grande sucesso com os adolescentes, precisamos conquistá-los na pré-adolescência”. O executivo respondeu que a citação foi “distorcida” e argumentou que a empresa discutiu, mas nunca lançou, uma versão do Instagram voltada a crianças.
Outro e-mail exibido ao júri, enviado pelo então vice-presidente de assuntos globais Nick Clegg, admitia dificuldades para aplicar limites etários e descrevia as políticas do Instagram como “difíceis de defender”. Sobre isso, Zuckerberg afirmou que a verificação de idade deveria ser responsabilidade dos fabricantes de dispositivos, não dos desenvolvedores de aplicativos. Ele acrescentou que adolescentes representam menos de 1% da receita da Meta.
Tempo de uso em foco
Lanier também confrontou Zuckerberg com mensagens internas de 2014 e 2015 nas quais o executivo fixava metas de dois dígitos para ampliar o tempo gasto nos aplicativos. O CEO respondeu que a estratégia da empresa mudou nos anos seguintes. Jurados viram ainda um documento de 2022 projetando aumento do uso diário do Instagram de 40 minutos, em 2023, para 46 minutos, em 2026. Segundo Zuckerberg, tratava-se de “constatações”, não objetivos formais, destinadas a informar a diretoria.
Repercussão mundial
O litígio ocorre em meio a uma onda global de preocupação com redes sociais. Portugal aprovou em fevereiro restrições ao acesso de crianças, e a Espanha planeja proibir menores de 16 anos nas plataformas. No Reino Unido, discutem-se medidas semelhantes, enquanto a Austrália já vetou usuários com menos de 16 anos. Nos Estados Unidos, a Flórida proibiu o cadastro de menores de 14 e enfrenta contestação judicial de associações do setor.
Do lado de fora do tribunal, o advogado Matthew Bergman, que representa outras famílias, disse esperar que eventuais indenizações forcem mudanças no design das plataformas. Um veredicto desfavorável à Meta pode comprometer a defesa jurídica tradicional das grandes empresas de tecnologia, historicamente amparadas por legislações que limitam sua responsabilidade sobre conteúdo.
O julgamento prossegue sem data definida para conclusão.
Com informações de Agência Brasil
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