Um trabalho publicado no Journal of Royal Society Interface indica que o aquecimento global deve ampliar a área de circulação do vírus Chikungunya para 29 novos países, com destaque para o sul da Europa. Segundo a pesquisa, divulgada em 18 de fevereiro pelo jornal britânico Guardian, Albânia, Grécia, Itália, Malta, Espanha e Portugal formam o grupo mais vulnerável a epidemias provocadas pelo agente infeccioso.
O estudo analisou a influência da temperatura sobre o período de incubação do vírus no mosquito Aedes albopictus, vetor que, ao lado do Aedes aegypti, transmite a doença. Os resultados mostram que o patamar mínimo para que ocorra infecção é de apenas 2,5 °C, valor muito inferior às estimativas anteriores, que apontavam necessidade de, no mínimo, 16 °C a 18 °C. Já o intervalo térmico mais favorável à transmissão situa-se entre 13 °C e 14 °C.
Autor principal do trabalho, Sandeep Tegar, do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia (UKCEH), afirmou ao Guardian que “é apenas uma questão de tempo” até que a doença avance para porções mais setentrionais do continente. Ele lembrou que o ritmo de elevação das temperaturas na Europa “é aproximadamente o dobro” da média global, fator que reduz cada vez mais a barreira climática representada pelos invernos rigorosos.
Mudança de cenário
Até recentemente, o frio europeu limitava a sobrevivência dos mosquitos Aedes, mas o cenário se alterou, permitindo atividade vetorial o ano inteiro no sul do continente. Os pesquisadores alertam que, nos próximos anos, os surtos tendem a ser mais intensos e prolongados, exigindo ações imediatas de vigilância e controle.
O Chikungunya provoca dores articulares intensas que podem persistir por anos e pode ser fatal em crianças e idosos. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que até 40% dos infectados desenvolvem artrite ou dor crônica cinco anos depois da doença. Não há transmissão direta entre pessoas, mas já foram relatadas infecções de mãe para filho durante a gestação ou o parto, além de casos ligados a transfusões sanguíneas contaminadas.
Detectado pela primeira vez em 1952, na Tanzânia, o vírus ganhou espaço na Europa em 2025, quando França e Itália registraram centenas de ocorrências após um período de baixa casuística. A OMS recomenda eliminar criadouros de mosquitos, vestir roupas claras e compridas, usar repelente e implantar sistemas de vigilância para mapear a circulação do vírus.
Tegar destacou que o modelo desenvolvido pela equipe fornece às autoridades locais ferramentas para antecipar onde e quando intervir. A expectativa é que os dados sirvam de base para políticas de saúde pública capazes de conter o avanço do Chikungunya no continente.
Com informações de Agência Brasil
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