O WhatsApp informou na noite de quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, que o governo da Rússia tentou remover completamente o serviço do ar no país. Em comunicado, a plataforma – pertencente à Meta – classificou a medida como um passo para “isolar mais de 100 milhões de usuários” de uma ferramenta de comunicação privada e acrescentou que seguirá “fazendo todo o possível” para manter os russos conectados.
De acordo com a nota, uma das motivações do Kremlin seria incentivar a população a migrar para o Max, aplicativo de mensagens e serviços públicos desenvolvido pelo Estado, comparado ao WeChat chinês por reunir funções bancárias, governamentais e de chat, porém sem criptografia de ponta a ponta.
Pressão crescente para adoção do Max
A ofensiva contra concorrentes começou meses atrás. Desde 2025, fabricantes que comercializam dispositivos na Rússia são obrigados a entregar aparelhos com o Max pré-instalado. Além disso, servidores públicos, professores e estudantes têm o uso da plataforma como requisito de trabalho ou estudo.
Consultado pela BBC, o Kremlin não respondeu até o momento. Porém, agências ligadas ao governo já justificaram o bloqueio parcial do WhatsApp por “resistência em cumprir a legislação russa”, que determina o armazenamento local de dados de usuários.
Roskomnadzor e ameaças de corte total
A Roskomnadzor, autoridade que regula comunicações no país, enviou diversos alertas para que o aplicativo da Meta transfira os dados de cidadãos russos a servidores instalados na Rússia. A agência estatal Tass Media noticiou no início deste ano que a suspensão definitiva do WhatsApp deve ocorrer em 2026, cronograma considerado “absolutamente justificado” pelo funcionário governamental Andrei Svintsov. Segundo ele, a decisão segue a designação da Meta como “organização extremista”, status atribuído em 2022.
Desde essa classificação, Instagram e Facebook estão bloqueados e só são acessíveis mediante redes virtuais privadas (VPNs). Caso o plano avance, o WhatsApp se juntará à lista de serviços da Meta restritos no país.
Imagem: Getty Images via BBC
Telegram também na mira
O cerco não se limita ao aplicativo da Meta. O Telegram, criado pelo empresário russo Pavel Durov, conta com base de usuários semelhante à do WhatsApp no território, mas também enfrenta limitações. Reguladores afirmam que a empresa se recusa a manter bancos de dados em solo russo, descumprindo exigência legal equivalente.
Durov já declarou que a estratégia do Kremlin visa transferir o tráfego de mensagens para o Max, a fim de ampliar mecanismos de vigilância e censura política. Em publicação recente, o executivo comparou o movimento ao que ocorreu no Irã – onde o governo tentou banir o Telegram, mas a população recorreu a caminhos alternativos para continuar utilizando o serviço. “Retirar a liberdade dos cidadãos jamais é a solução correta”, afirmou.
Enquanto a disputa avança, especialistas apontam que o bloqueio integral do WhatsApp pode estimular o uso de VPNs ou de outros meios para burlar restrições, fenômeno observado em bloqueios anteriores de redes sociais na Rússia.
Com informações de G1
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