Publicações nas redes sociais têm compartilhado uma fotografia que supostamente retrata Jeffrey Epstein, morto em 2019, caminhando por uma rua de Tel Aviv, em Israel. A imagem, divulgada inicialmente na última quinta-feira (5) em um perfil do X (antigo Twitter), é falsa. Verificação realizada pelo projeto Fato ou Fake confirmou que a cena foi criada com a ferramenta Gemini, sistema de inteligência artificial (IA) do Google.
Como surgiu o boato
O post no X trazia a legenda, em inglês: “🚨 ÚLTIMA HORA: Uma pessoa parecida com Jeffrey Epstein acaba de ser vista caminhando em Tel Aviv, Israel. Será que é mesmo ele? É literalmente ele”. Rapidamente, o conteúdo se espalhou também por Facebook, Instagram e Threads, coincidindo com a divulgação de mais de 3 milhões de páginas de documentos do caso Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
A fotografia mostra um homem de cabelos brancos, barba espessa e óculos escuros andando ao lado de dois outros indivíduos. Na sequência, o autor publicou o que chamou de “foto completa”, apresentando um enquadramento mais amplo da rua e do entorno.
Resultado da checagem
Para verificar a autenticidade da cena, o Fato ou Fake submeteu a imagem ao SynthID Detector, plataforma desenvolvida pelo Google para identificar conteúdos criados por suas próprias IAs. O sistema apontou a presença da marca d’água digital inserida automaticamente pela tecnologia, indicando: “Feito com IA do Google – SynthID identificado em todo ou parte do conteúdo carregado”. Essa assinatura, invisível a olho nu, pode ser reconhecida por softwares específicos.
Uma pesquisa reversa no Google Lens reforçou a fraude. O mecanismo localizou uma publicação no Reddit, datada de 1º de fevereiro, contendo a mesma foto acompanhada do logotipo do Gemini no canto inferior direito. Nos comentários, o autor revelou: “Sim, eu fiz isso com a Gemini. Dá para ver o logo em cada foto. Eu não imaginava que ia viralizar tanto”.
Imagem: Reprodução
Epstein morreu em 2019
Jeffrey Epstein foi encontrado morto em sua cela no Complexo Correcional Metropolitano, em Manhattan, em 10 de agosto de 2019, um mês após ser preso sob a acusação de explorar sexualmente dezenas de meninas. Após investigação, o Departamento de Justiça dos EUA e o FBI concluíram que ele cometeu suicídio. Portanto, qualquer alegação de que o empresário estaria vivo carece de fundamento.
Com base nos laudos oficiais e na verificação das marcas digitais, a imagem que circula nas redes não passa de uma criação sintética. Não há registro confiável que comprove a presença de Epstein em Israel ou em qualquer outro lugar depois de 2019.
Com informações de G1
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