O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, que o governo federal não poupará recursos destinados à pesquisa em saúde. Durante cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo, o chefe do Executivo defendeu a cooperação com a China para escalar a fabricação de imunizantes no Brasil e ressaltou que a escolha do parceiro asiático não significa preterir os Estados Unidos.
“Nós estamos escolhendo aquilo que é melhor para o nosso país. E se a China aceita fazer uma parceria conosco na produção de vacina e vai produzir a quantidade que, ainda, a gente não tem condição de produzir, por que não fazer um convênio com a China?”, declarou o presidente diante de pesquisadores, autoridades do setor e profissionais de saúde.
Segundo o Ministério da Saúde, a transferência de tecnologia para a empresa WuXi Vaccines, incluída no acordo Brasil-China, pode elevar a produção de imunizantes em até 30 vezes. O governo já se comprometeu a adquirir todo o quantitativo que estiver disponível.
Início da vacinação contra a dengue
O evento no Butantan marcou também o início da campanha de imunização contra a dengue voltada a 1,2 milhão de trabalhadores da atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS). A vacina, totalmente desenvolvida no país após mais de 15 anos de pesquisas financiadas pelos governos paulista e federal, começa a ser distribuída imediatamente. A ampliação para a população de 15 a 59 anos, começando pelos grupos etários mais velhos, está prevista para o segundo semestre, conforme a capacidade produtiva do instituto aumente.
Recursos para pesquisa e expansão
Durante o discurso, Lula anunciou R$ 1,5 bilhão para ampliar a infraestrutura e a capacidade de produção do Butantan. Os recursos contemplam:
• desenvolvimento de vacinas com tecnologia de mRNA;
• fabricação do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) da vacina DTPa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche;
• produção do imunizante contra o HPV;
• expansão da linha de soros.
Imagem: Ricardo Stuckert / PR
“Enquanto eu tiver possibilidade de ajudar, não faltará dinheiro para a pesquisa, nem no Butantan nem em outros institutos deste país”, afirmou o presidente, que cobrrou mobilização nacional contra as fake news que desestimulam a vacinação. Ele defendeu a participação de professores, líderes religiosos e políticos para convencer a população a retomar a cultura de se vacinar “como era antigamente”.
Reconhecido como o maior produtor de vacinas e soros da América Latina, o Instituto Butantan é parceiro estratégico do Ministério da Saúde na política de imunização nacional. De acordo com o governo, os investimentos anunciados devem reforçar a autonomia do país na produção de imunobiológicos e reduzir a dependência de importações.
Com informações de Agência Brasil
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