Investidores recuam diante de gastos bilionários em IA e derrubam Nasdaq; executivos tentam conter temor

William Kevim
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A decisão das gigantes de tecnologia de ampliar de forma expressiva os investimentos em inteligência artificial (IA) provocou uma semana turbulenta em Wall Street. Amazon, Google, Meta e Microsoft informaram que, juntas, pretendem aplicar US$ 660 bilhões na expansão de projetos de IA em 2026 — valor que representa um salto de 60% em relação ao desembolsado em 2025.

A reação inicial foi negativa. Na sexta-feira (6), as ações da Amazon recuaram após a companhia anunciar um aporte de US$ 200 bilhões em IA ao longo de 2026. Na véspera, a Alphabet, controladora do Google, divulgara plano semelhante, aprofundando a onda de vendas no setor de tecnologia e levando o índice Nasdaq ao menor patamar em mais de dois meses.

Fabricantes de chips viram na contramão

Nem todos os papéis acompanharam o movimento. Ainda na sexta, o entusiasmo com a demanda por componentes para IA sustentou altas nos papéis da Nvidia e da AMD, principais fornecedoras de chips para esse mercado. Depois de três sessões de queda, empresas de software e de serviços de dados conseguiram amenizar as perdas, embora nomes como Oracle, Palantir, Salesforce e SAP tenham sido pressionados pelo receio de que a IA inviabilize modelos de negócio tradicionais.

Chefes de big techs saem em defesa do setor

O presidente da Nvidia, Jensen Huang, classificou essas preocupações como “a coisa mais ilógica do mundo”, durante evento promovido pela Cisco na quarta-feira (4). Segundo ele, as companhias continuarão utilizando ferramentas consolidadas, mesmo com o avanço dos sistemas de IA. Sundar Pichai, CEO do Google, ecoou o discurso: para o executivo, empresas de software que aproveitarem o momento terão oportunidades equivalentes às das gigantes de tecnologia.

Nervosismo crescente

Ao fim da semana, o Nasdaq acumulou queda de quase 2%. Para Kristina Hooper, estrategista-chefe da gestora Man Group, o cenário reflete o ciclo típico de “entusiasmo quase descarado” seguido de um período de avaliação mais criteriosa em torno de novas tecnologias.

A performance do mercado contrasta com o otimismo visto em 2025, quando a procura por ações ligadas à IA impulsionou os principais índices norte-americanos. Contudo, no fim de janeiro, a Microsoft perdeu cerca de US$ 400 bilhões em valor de mercado em apenas um dia, após divulgar resultados trimestrais. Embora a receita de serviços em nuvem tenha ultrapassado US$ 50 bilhões pela primeira vez, a margem de lucro recuou em razão dos pesados investimentos em data centers voltados à IA.

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Imagem: Fabrice Coffrini/AFP

O receio de que novas aplicações de IA possam canibalizar segmentos estabelecidos ganhou força nesta semana com o lançamento de ferramentas corporativas pela Anthropic, dona do modelo Claude, concorrente direto do ChatGPT. Entre as novidades está um software para automatizar a revisão de contratos jurídicos.

“Antes, parecia que a IA elevava todos os barcos”, avaliou Matthew Miskin, co-estrategista-chefe de investimentos da Manulife John Hancock. “Agora, há o temor de que o ritmo acelerado do setor de tecnologia deixe outras áreas sem o mesmo potencial de crescimento.”

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.