Um vídeo que circula desde o início de fevereiro nas redes sociais afirma mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometendo punição exemplar aos responsáveis pela morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis. A gravação, no entanto, é falsa. Análise da equipe Fato ou Fake, do portal G1, confirmou que as imagens foram manipuladas com ferramentas de inteligência artificial (IA) e não correspondem ao pronunciamento original de Lula.
Como surgiu a peça de desinformação
O material enganoso ganhou força em plataformas como Instagram, TikTok e Threads, acompanhado da legenda: “Caso do Cachorro Orelha – Lula ficou bravo: eles vão PAGAR”. Na versão adulterada, o presidente aparece dizendo: “O caso do cachorro Orelha não vai ficar impune […] me comprometo, como presidente da República, a dar uma punição severa, independente de ser filho de rico”. Nenhuma dessas frases, contudo, foi efetivamente proferida por Lula.
Pronunciamento original tratava de salário mínimo
A gravação verdadeira foi feita em 16 de janeiro, durante a cerimônia que celebrou os 90 anos do salário mínimo, no Rio de Janeiro. Naquele evento, o presidente discutiu temas econômicos e políticas voltadas ao poder de compra dos trabalhadores, sem mencionar o caso envolvendo o cão Orelha. A íntegra do discurso está disponível no canal oficial do governo no YouTube.
Análise técnica aponta 92% de chance de uso de IA
Para verificar a autenticidade do arquivo, o Fato ou Fake utilizou a plataforma Hive Moderation, especializada em identificar conteúdos gerados por inteligência artificial. O resultado indicou 92% de probabilidade de manipulação. Ferramentas adicionais, como o plug-in InVID, auxiliaram no fracionamento do vídeo em quadros estáticos. A partir desses frames, foi realizada busca reversa via Google Lens, que localizou o conteúdo original publicado pelo governo federal.
Contexto da morte do cachorro Orelha
Orelha vivia na Praia Brava, em Florianópolis, e foi encontrado agonizando em 5 de janeiro. Apesar de socorrido por moradores e levado a uma clínica veterinária, o animal não resistiu aos ferimentos. Em 3 de fevereiro, a Polícia Civil de Santa Catarina identificou um adolescente suspeito de agredir o cão e solicitou sua internação provisória. A defesa nega envolvimento do jovem.
Imagem: Reprodução
Reação do governo e da primeira-dama
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência classificou o vídeo como “FALSO” e lamentou a propagação de conteúdos que buscam “desinformar a população, enfraquecer instituições e manipular a opinião pública”. Até a última atualização, Lula não se pronunciara publicamente sobre a morte de Orelha. A primeira-dama, Janja da Silva, manifestou solidariedade às pessoas que cuidavam do animal em publicação de 27 de janeiro.
O caso reforça o alerta sobre o uso de inteligência artificial para forjar declarações de autoridades e disseminar notícias falsas, sobretudo em temas de forte comoção social.
Com informações de G1
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



