Califórnia (EUA) – Um veículo autônomo da Waymo, subsidiária da Alphabet (controladora do Google), atropelou uma criança nas proximidades de uma escola primária na quinta-feira, 29. O menor sofreu apenas ferimentos leves, mas o episódio motivou a abertura de investigações por dois órgãos federais norte-americanos.
Investigação federal em curso
Cerca de uma semana após o acidente, também na quinta-feira, 29, a Administração Nacional de Segurança Rodoviária (NHTSA) comunicou o início de uma avaliação preliminar para verificar se o carro operava com a devida cautela em zona escolar. O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) confirmou que conduzirá apuração paralela.
Em nota publicada no blog oficial da empresa, a Waymo afirmou que colaborará integralmente com ambas as investigações.
Como ocorreu o atropelamento
De acordo com a NHTSA, a criança atravessava correndo a via em direção à escola quando surgiu por trás de um utilitário esportivo (SUV) estacionado em fila dupla. O impacto aconteceu durante o período de entrada e saída dos alunos, momento de tráfego intenso e presença de guarda de trânsito no local.
A Waymo relatou que o sistema identificou o pedestre assim que ele apareceu, reduzindo a velocidade do carro de cerca de 27 km/h para menos de 10 km/h antes da colisão. Simulações internas da companhia indicam que um motorista humano, nas mesmas condições, provavelmente atingiria o pedestre a cerca de 22 km/h.
Após o choque, a criança se levantou e caminhou até a calçada. O veículo permaneceu parado, acionou o serviço de emergência 911 e só deixou a área depois de liberado pela polícia.
Pontos analisados pelos reguladores
Na avaliação preliminar, a NHTSA examinará se o robo-táxi respeitou limites de velocidade, manteve distância segura de pedestres e respondeu adequadamente ao cenário de zona escolar. A agência também observará a conduta da Waymo no pós-acidente.
Imagem: Alexandre Lopes/g1 Santos
Incidentes anteriores envolvendo ônibus escolares
No mesmo dia do atropelamento, o NTSB abriu outra investigação, desta vez sobre ultrapassagens de ônibus escolares realizados por carros da Waymo em Austin, Texas. Desde o início do período letivo, foram registrados pelo menos 19 casos.
Em dezembro, a empresa realizou recall de mais de 3 mil veículos para atualizar o software responsável por manobras indevidas nesse tipo de situação. Apesar da correção, o Distrito Escolar Independente de Austin confirmou cinco novos incidentes em novembro e solicitou a suspensão das operações próximas a escolas nos horários de pico – pedido negado pela empresa.
Audiência no Senado dos EUA
O Comitê de Comércio do Senado norte-americano agendou para 4 de fevereiro uma audiência específica sobre veículos autônomos. O diretor de segurança da Waymo, Mauricio Peña, deverá prestar esclarecimentos, inclusive sobre o atropelamento na Califórnia e os episódios no Texas.
O aumento da frota de táxis sem motorista nos Estados Unidos reacendeu o debate sobre segurança viária e protocolos de operação em áreas com grande circulação de crianças. As conclusões das investigações ainda não têm prazo para serem divulgadas.
Com informações de G1
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