Escalada entre EUA e Irã aumenta risco de conflito e pressiona preço do petróleo

Robson Alves
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As trocas de ameaças entre Estados Unidos e Irã voltaram a intensificar a instabilidade no Oriente Médio, levantando temores sobre a segurança no Golfo Pérsico e provocando alta imediata nas cotações internacionais do petróleo.

A Casa Branca despachou para a região o porta-aviões USS Abraham Lincoln, um dos maiores da frota norte-americana. O governo de Washington advertiu que, se Teerã não aceitar negociar um compromisso que impeça o desenvolvimento de armas nucleares, os ataques podem ser “muito piores” que os realizados em junho de 2025.

Um ano atrás, forças norte-americanas e israelenses bombardearam instalações militares e nucleares em território iraniano. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra alvos em Israel. A nova tensão ganhou força na quarta-feira (28), quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em rede social que “o tempo está se esgotando”.

De acordo com a mídia estatal iraniana, o chanceler Abbas Araqchi declarou que seu país não pediu negociações nem manteve contatos com o enviado especial dos EUA, Steve Witkof.

Exercícios no Estreito de Ormuz

Autoridades iranianas avisaram nesta quinta-feira (29) que realizarão exercícios militares no Estreito de Ormuz, saída do Golfo Pérsico por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Analistas temem um possível bloqueio da rota, cenário já cogitado como retaliação aos ataques de 2025.

O Irã possui a terceira maior reserva de petróleo do planeta e ocupa a quinta posição entre os maiores produtores. Outros membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, também dependem do estreito para escoar sua produção. Economistas citados pela agência Reuters calculam que a simples possibilidade de ataques ao Irã acrescentou até US$ 4 ao preço do barril.

Protestos internos e sanções

No início de 2026, cresceram os protestos contra o governo de Teerã. Organizações de direitos humanos relatam mais de 6 mil mortos e cerca de 40 mil presos durante confrontos com as forças de segurança. O governo iraniano admite 3 mil mortes e classifica parte dos manifestantes como terroristas.

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Imagem: Reuters/Fatemeh Bahrami/Proibida reprodução

Além de reclamar da falta de liberdades políticas, a população contesta o elevado custo de vida, agravado pelas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e seus aliados. O regime iraniano atribui as manifestações à interferência estrangeira e respondeu com forte repressão, inclusive bloqueando o acesso à internet.

Fontes ouvidas pela Reuters revelam que Trump avalia ataques direcionados contra forças de segurança e líderes iranianos para estimular os protestos. Teerã, por sua vez, ameaça atingir bases norte-americanas em países vizinhos, como Catar e Barein, caso Washington interfira diretamente.

Reação europeia

A repressão também provocou resposta de nações europeias, que nesta semana aprovaram novas sanções a autoridades e instituições do Irã, além de classificar a Guarda Revolucionária Iraniana como organização terrorista. “Quem age como terrorista deve ser tratado como terrorista”, afirmou a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas. Para ela, “qualquer regime que mata milhares de pessoas do próprio povo trabalha para a própria queda”.

Com a presença de um porta-aviões norte-americano no Golfo Pérsico, a realização de exercícios iranianos em Ormuz e a pressão internacional sobre o governo de Teerã, especialistas alertam para o risco de novos choques militares que poderiam interromper o fluxo de petróleo, afetar economias globais e aprofundar a crise humanitária dentro do Irã.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.