Aracaju (SE) – Moradores do Residencial Reserva das Aroeiras, localizado no bairro Gameleira, ocuparam na manhã de ontem a portaria principal da Companhia de Habitação e Obras Públicas (Cehop) para pressionar o Governo de Sergipe a apresentar documentos sobre o processo de reintegração de posse que tramita na Justiça.
De acordo com os manifestantes, 84 famílias vivem há mais de dois anos na área e temem ser removidas sem qualquer alternativa habitacional. A ordem de desocupação foi expedida em 26 de janeiro deste ano, com prazo de 24 horas para saída voluntária e autorização de uso de força policial em caso de descumprimento.
A mobilização começou nas primeiras horas da manhã. Com faixas e cartazes, o grupo bloqueou parcialmente o acesso de servidores e visitantes ao prédio da companhia estadual, exigindo explicações oficiais sobre a propriedade do terreno. O secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura, Luiz Roberto, foi acionado e informou que o imóvel “não pertence mais à Cehop”, razão pela qual o órgão não teria responsabilidade sobre o processo judicial.
A resposta não satisfez os moradores. Eles solicitaram o termo de venda ou qualquer comprovação da transferência, alegando falta de transparência. “Queremos saber quem pagou, quanto pagou e qual foi a formalidade. Não vamos sair sem uma alternativa digna”, declarou Antony Santos, apontado como um dos líderes do movimento.
Sem contrapartida, famílias afirmam que permanecerão
Santos destacou que os residentes não pretendem deixar as casas se o Estado não apresentar uma solução que impeça que as famílias fiquem desabrigadas. Ele também criticou a ausência de informações detalhadas sobre metragem do terreno, planta e registro em cartório. Segundo o líder comunitário, alguns supostos proprietários indicados na ação de reintegração “não sabem sequer o tamanho da área”.
Em nota verbal aos presentes, Luiz Roberto reiterou que a Cehop não está mais vinculada à área e, por isso, não tem como intervir. Os manifestantes, contudo, insistem que a companhia forneça toda a documentação que comprove a alienação do terreno e os termos da negociação.
Ao final da manhã, o grupo decidiu encerrar o bloqueio, mas afirmou que outras mobilizações poderão ocorrer caso não haja retorno oficial. As famílias seguem no local, aguardando posicionamento do Governo de Sergipe e do Poder Judiciário sobre a reintegração.
Com informações de Jornaldodiase
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