Conta oficial da diplomacia francesa usa sarcasmo no X para rebater críticas dos Estados Unidos

William Kevim
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A chancelaria da França encontrou um caminho inusitado para responder a questionamentos e ataques recebidos nas redes sociais: memes e ironia. Desde setembro de 2025, a conta “French Response”, mantida no X (antigo Twitter) pelo Ministério das Relações Exteriores francês, passou a reagir publicamente a mensagens que considera desinformação. A página voltou a ganhar destaque na quinta-feira (22) ao retrucar um comentário do senador norte-americano Marco Rubio, que criticou a cultura europeia na plataforma.

Em vez de um comunicado tradicional, o perfil divulgou uma tabela comparativa com indicadores de qualidade de vida. O gráfico mostrava a União Europeia à frente dos Estados Unidos em quesitos como expectativa de vida e endividamento estudantil. A publicação veio acompanhada da frase curta e direta: “Nossa cultura”.

Estratégia coordenada

Segundo o porta-voz da diplomacia francesa, Pascal Confavreux, a informação se transformou em um “novo campo de batalha”, exigindo postura ativa das representações oficiais. “Escolhemos ocupar o espaço aumentando o volume e levantando a voz”, afirmou. Apesar de contabilizar pouco mais de 100 mil seguidores — número modesto diante dos 230 milhões do proprietário da rede, Elon Musk —, o perfil é abastecido por um grupo de diplomatas, ex-jornalistas e checadores de fatos.

A atuação ganhou projeção na mesma semana em que chefes de Estado e executivos participaram do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. No encontro, o presidente francês, Emmanuel Macron, apareceu com óculos de aviador devido a uma hemorragia ocular, enfrentou o ex-mandatário americano Donald Trump e declarou que a França “não gosta de valentões”. O visual rendeu comparações com Maverick, protagonista de “Top Gun”, e motivou nova resposta bem-humorada da “French Response”: “Quando o mundo faz a sua resposta francesa por você”, escreveu o perfil após Trump ironizar os óculos.

Embassies replicam o tom

O mesmo método foi adotado por embaixadas francesas em diferentes países. Na quarta-feira (21), a delegação em Pretória, África do Sul, rebateu alegações da representação russa que acusava a França de ocupar ilegalmente Mayotte, no Oceano Índico. “Mayotte votou em 1974 para continuar sendo território da República Francesa”, lembrou a conta, questionando se os diplomatas russos conheciam conceitos como referendo e democracia.

Para o analista de segurança global Ruslan Trad, do laboratório DFRLab, há um limite tênue entre enfrentar “trolls” e ser interpretado como um deles. “Quando canais oficiais adotam táticas de provocação, correm o risco de nivelar, na percepção pública, instituições democráticas e agentes de desinformação”, avaliou.

Estátua da Liberdade vira piada

A interação bem-humorada também envolveu a Estátua da Liberdade, presente da França aos Estados Unidos em 1886. No início de janeiro, após um usuário americano afirmar que o presidente norte-americano conquistaria Groenlândia, Canadá e depois a França, a “French Response” disparou: “Última hora: a Estátua da Liberdade, supostamente vista nadando de volta pelo Atlântico. Disse que ‘preferia os termos e condições originais’”. A declaração remeteu às ameaças de Trump, já revertidas, de tomar o território dinamarquês da Groenlândia.

Dentro e fora da Europa, a tática de mensagens curtas, sarcásticas e repletas de referências pop tornou-se peça central na comunicação externa francesa. Para Paris, ocupar o espaço digital com bom humor é parte essencial para disputar narrativas em tempo real e enfrentar a enxurrada de conteúdos enganosos que circulam nas redes.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.