O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por cerca de 45 minutos, na manhã desta quinta-feira (22), com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. De acordo com o Palácio do Planalto, o diálogo concentrou-se na ampliação da parceria bilateral em áreas estratégicas como defesa, comércio, saúde, energia, ciência e tecnologia.
Os chefes de governo também abordaram a cooperação em setores emergentes, entre eles a pesquisa de minerais considerados críticos, o aproveitamento de terras raras e a produção de biocombustíveis. Todos esses temas deverão ser detalhados durante a visita oficial que Lula fará a Nova Délhi entre 19 e 21 de fevereiro.
Missão empresarial
A viagem presidencial está sendo coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A intenção é intensificar o intercâmbio comercial, ampliar as vendas externas brasileiras e atrair novos investimentos indianos, movimento que coincide com as negociações para estender o acordo Mercosul-Índia.
Segundo o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, quase 200 empresários já se inscreveram para acompanhar a comitiva. O número deve crescer, pois as inscrições foram abertas há apenas dois dias. Os executivos arcarão com passagens e hospedagem, enquanto parte da agenda em solo indiano incluirá encontros com companhias daquele país que já atuam no Brasil e planejam anunciar aportes para os próximos quatro ou cinco anos.
Durante a missão, a ApexBrasil inaugurará seu escritório em Nova Délhi, o 20º da rede da agência no exterior.
Potencial de crescimento
Para Viana, a Índia desponta como o mercado com maior perspectiva de avanço nas transações externas brasileiras. “Se me perguntarem onde está o maior potencial de crescimento do comércio exterior do Brasil, eu responderei sem medo de errar: Índia”, afirmou.
Com população estimada em 1,45 bilhão de habitantes, mais de seis vezes a brasileira, o país asiático importou do Brasil, em 2025, cerca de US$ 7 bilhões, principalmente petróleo (30%), açúcar e melaço (15%), gorduras e óleos vegetais (14%) e minério de ferro (6%). No sentido oposto, as compras brasileiras somaram quase US$ 8,5 bilhões no mesmo ano. A meta agora é diversificar a pauta de exportações, incluindo óleo combustível, defensivos agrícolas, medicamentos e peças automotivas.
Cooperação agrícola
Outro ponto ressaltado por Viana é o interesse do presidente Lula em envolver a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a agricultura familiar na parceria com os indianos. O objetivo é contribuir para o aumento da produtividade de milhões de pequenos produtores rurais da Índia.
A agenda detalhada da visita presidencial ainda está em elaboração, mas o governo brasileiro avalia que o encontro presencial entre Lula e Modi servirá para consolidar entendimentos iniciais estabelecidos na conversa telefônica de hoje.
Com informações de Agência Brasil
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



