Residentes do Reino Unido perdem todas as suas economias em Cardano após invasão digital, enquanto número de vítimas individuais dobra em um ano.
Helen e Richard, nomes fictícios de um casal britânico, viram o equivalente a US$ 315 mil (cerca de R$ 1,6 milhão) desaparecer em fevereiro de 2024. Hackers acessaram a conta de armazenamento em nuvem onde estavam salvos os dados das carteiras digitais usadas pelos dois para guardar a criptomoeda Cardano. Depois de uma pequena transferência de teste, os criminosos enviaram todo o saldo para endereços próprios em questão de minutos.
Desde então, o casal acompanha, impotente, a movimentação do dinheiro pelo blockchain público. A transparência do livro-razão digital permite rastrear cada transação, mas não revela a identidade dos invasores. Helen reuniu relatórios de diferentes forças policiais e dos desenvolvedores da Cardano na esperança de reaver os recursos, enquanto planeja contratar investigadores particulares.
Escalada global de furtos
Casos como o de Helen e Richard ilustram uma tendência apontada pela empresa de análise de blockchain Chainalysis. Em 2025, ataques a investidores individuais representaram cerca de 20% dos valores subtraídos em ativos digitais, totalizando US$ 713 milhões (aproximadamente R$ 3,6 bilhões). O número de vítimas subiu de 40 mil, em 2022, para 80 mil no ano passado.
No mesmo período, o montante geral roubado em criptomoedas manteve-se na casa de US$ 3,4 bilhões (em torno de R$ 17,2 bilhões). Grandes plataformas continuam sendo alvo principal, como a corretora Bybit, de onde hackers norte-coreanos levaram US$ 1,5 bilhão em fevereiro de 2025. Porém, especialistas observam que melhorias de segurança nesses serviços têm redirecionado criminosos para pessoas físicas consideradas alvos mais fáceis.
Ataques presenciais e “wrench attacks”
A ameaça não se limita ao ambiente on-line. A polícia espanhola relatou, em abril de 2025, que um casal foi mantido em cativeiro enquanto bandidos tentavam acessar suas carteiras digitais; o homem acabou baleado e morto, e cinco suspeitos foram presos. Na França, David Balland, cofundador da empresa de hardware cripto Ledger, foi sequestrado junto com a esposa; ele teve um dedo amputado antes do resgate.
Nos Estados Unidos, Evan Tangeman, 22 anos, admitiu participação no grupo Social Engineering Enterprise, responsável por roubar mais de US$ 260 milhões entre 2023 e 2025. O esquema combinava engenharia social com invasões domiciliares para obter dispositivos contendo chaves privadas.
Vazamentos de dados alimentam fraudes
O aumento de “milionários de bitcoin” incentiva a compra de bases de dados com informações pessoais, segundo Matthew Jones, fundador da empresa de segurança Haven. Após o vazamento na holding de luxo Kering, planilhas com nomes e gastos de clientes teriam sido revendidas por US$ 300 mil. De posse desses arquivos e de outros dados roubados, golpistas desviaram pelo menos US$ 1,5 milhão em criptoativos de clientes da plataforma Coinbase.
Custódia própria e novos recursos de proteção
Jones, que também foi vítima de roubo, desenvolveu uma carteira digital equipada com verificação biométrica contínua, geofencing para bloquear transações fora de locais previamente aprovados e botão de pânico para transferir fundos rapidamente em caso de ameaça. Ele defende a custódia própria — conceito em que o usuário age como seu próprio banco — ainda que admita os riscos associados à total responsabilidade pelos ativos.
Para Helen e Richard, a perda é especialmente dolorosa porque parte do valor vinha da venda da casa da mãe de Richard. Mesmo assim, eles não pretendem abandonar o mercado de criptomoedas: se conseguirem recuperar o dinheiro ou juntar novas economias, planejam voltar a investir.
Com informações de G1
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