Com mais de meio século de vida pública, Raul Jungmann morreu no domingo (18), em Brasília, em decorrência de câncer no pâncreas. O ex-parlamentar e ex-ministro tinha 73 anos e acumulou passagens pela Câmara Municipal do Recife, pela Câmara dos Deputados e por três pastas federais: Reforma Agrária e Meio Ambiente no governo Fernando Henrique Cardoso, além de Defesa e Segurança Pública na gestão Michel Temer.
Repercussão imediata
A notícia da morte provocou manifestações de pesar de nomes de diferentes correntes ideológicas. Michel Temer, sob cuja presidência Jungmann comandou as áreas de Defesa e Segurança Pública, afirmou em nota que o pernambucano “soube servir ao país” e deixou marcas por onde passou.
Paulo Teixeira, atual ministro do Desenvolvimento Agrário no governo Lula, destacou nas redes sociais a trajetória do colega “da campanha das Diretas Já à fundação do PPS”, lembrando a participação de Jungmann em um conselho de ex-chefes da pasta criado recentemente.
Do Supremo Tribunal Federal também vieram homenagens. Gilmar Mendes disse perder “um amigo que inspirava confiança e serenidade” e apontou a integridade de Jungmann em cargos centrais do Estado. Já Alexandre de Moraes ressaltou a competência do ex-ministro, citando o trabalho conjunto na coordenação de inteligência e segurança dos Jogos Olímpicos Rio 2016.
Vozes do Legislativo e dos executivos estaduais
Líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues classificou Jungmann como “um dos mais capacitados e éticos homens públicos” que conheceu. Para o governador do Rio Grande do Sul, Marcelo Leite, o ex-ministro exerceu as funções com “seriedade e espírito republicano”.
Partido Cidadania em luto
Última legenda à qual Jungmann esteve filiado, o Cidadania divulgou nota assinada pelo presidente Roberto Freire. O texto lembra a militância do político no antigo PCB, sua contribuição para a criação do PPS e a permanência, mesmo após a desfiliação, como interlocutor em debates sobre segurança pública. O partido afirmou que a morte deixa “um vazio humano e político”, mas preserva um legado de coerência e compromisso democrático.
Velório restrito
O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), que tinha Jungmann na presidência, informou que o velório ocorre nesta segunda-feira (19), das 15h30 às 17h, na capela do Cemitério Campo da Esperança, em Brasília. A cerimônia será restrita a familiares e amigos próximos.
Ao longo de sua carreira de mais de 50 anos, Raul Jungmann construiu reputação de articulador político, defensor do diálogo entre correntes e gestor público voltado à consolidação democrática. As manifestações de pesar vindas de ex-presidentes, ministros de tribunais superiores, congressistas, governadores e dirigentes partidários evidenciam o alcance desse percurso.
Com informações de Agência Brasil
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