Particípação da Venezuela no comércio mundial de petróleo é inferior a 1%, dizem especialistas

Robson Alves
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O recente ataque dos Estados Unidos à Venezuela provocou oscilações nos preços do ouro, do dólar e do petróleo, mas a influência direta do país sul-americano sobre o mercado mundial do combustível fóssil é limitada. De acordo com Alexandre Szklo, professor do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, a Venezuela responde atualmente por menos de 1% do suprimento global de petróleo.

Embargos e características do óleo restringem vendas

Dois fatores explicam a baixa participação venezuelana:

Sanções norte-americanas – medidas impostas por Washington dificultam a comercialização oficial do produto no exterior.
Petróleo extrapesado – a maior parte do óleo venezuelano é denso e necessita de refinarias complexas, concentradas na costa do Golfo do México e nos Estados Unidos.

Reserva gigante, produção reduzida

A Venezuela detém a maior reserva de petróleo conhecida, mas grande parte desse recurso permanece intocada por falta de investimento em infraestrutura de extração e refino. “Potencial é diferente de oferta real. Hoje o país produz muito pouco e coloca ainda menos no mercado internacional”, afirmou Szklo.

Impacto limitado no curto prazo

Diante da baixa oferta, o especialista avalia que as oscilações recentes de preço têm caráter predominantemente especulativo. “O efeito imediato da Venezuela sobre o mercado internacional é bastante restrito”, disse.

Frotas fantasmas driblam sanções

Para contornar embargos, parte do comércio venezuelano tem recorrido a navios conhecidos como “frotas fantasmas”, que navegam sem seguro de carga nem registros convencionais. Szklo estima em cerca de 300 os petroleiros de grande porte envolvidos nesse tipo de operação, prática que amplia riscos ambientais e operacionais.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.