Brasil se afasta de documento do Mercosul sobre Venezuela liderado pela Argentina

Robson Alves
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O Brasil recusou-se a endossar um comunicado sobre a situação na Venezuela apresentado por integrantes do Mercosul durante a cúpula do bloco, realizada no sábado (20) em Foz do Iguaçu (PR). Sob liderança do presidente argentino, Javier Milei, o texto pede o restabelecimento da democracia e o respeito aos direitos humanos no país vizinho.

Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o uruguaio Yamandú Orsi também não assinou o documento. De acordo com o Palácio do Planalto, há receio de que a declaração seja interpretada por autoridades norte-americanas como apoio a uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, hipótese considerada contrária aos interesses brasileiros.

Quem assinou

O texto recebeu a adesão dos presidentes da Argentina, Paraguai (Santiago Peña) e Panamá (José Raúl Mulino). Autoridades de alto escalão de Bolívia, Equador e Peru também subscreveram a carta. Os signatários manifestaram “profunda preocupação” com a crise migratória, humanitária e social venezuelana e defenderam a libertação de presos políticos.

Contexto do Mercosul

A Venezuela aderiu ao Mercosul em 2012, mas foi suspensa em 2017 por “ruptura da ordem democrática”, conforme as cláusulas do Protocolo de Ushuaia. O comunicado ratifica a validade desse protocolo e reforça a necessidade de mecanismos para proteção da democracia na região.

Tensão com os Estados Unidos

Os Estados Unidos não reconhecem Nicolás Maduro, no poder desde 2013, como presidente legítimo. Washington intensificou a presença militar no Caribe, bombardeou embarcações e apreendeu navios petroleiros sob a justificativa de combater o narcotráfico. Caracas afirma que a ação visa às reservas petrolíferas venezuelanas, uma das maiores do mundo, e que a pressão pode estrangular financeiramente o país.

Posicionamento brasileiro

Lula não declarou reconhecimento oficial da vitória de Maduro nas eleições de julho de 2024 e vem tratando o tema com cautela. Na quinta-feira (18), o presidente disse a jornalistas ter conversado por telefone com Maduro e com o então presidente norte-americano Donald Trump em busca de uma solução diplomática. Durante a reunião do Mercosul, Lula alertou que uma intervenção na Venezuela provocaria “uma catástrofe humanitária e um precedente perigoso para o mundo”.

Discurso argentino

Em contraste, Milei classificou Maduro como “narcoterrorista” e elogiou a pressão militar dos Estados Unidos. “O tempo da timidez nesta questão já passou”, declarou o argentino aos demais líderes do bloco.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.