Brasil monitora reforma tarifária do México e pede previsibilidade nas relações comerciais

Robson Alves
4 Min Leitura

O governo brasileiro manifestou preocupação com a reforma tarifária aprovada pelo Congresso do México, que autoriza a aplicação de alíquotas de até 50% sobre importações provenientes de países sem acordo amplo de livre comércio com os mexicanos.

Em nota conjunta divulgada nesta sexta-feira (12), o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informaram que aguardam a publicação do texto final para medir os possíveis impactos sobre as exportações do Brasil.

Tarifas entre 5% e 50% a partir de janeiro

A reforma, aprovada na quinta-feira (11), estabelece tarifas que variam de 5% a 50% sobre cerca de 1,5 mil produtos de 17 setores, incluindo automóveis e autopeças, vestuário, plásticos, siderurgia e eletrodomésticos. As novas alíquotas devem entrar em vigor em 1º de janeiro de 2026.

Além do Brasil, China, Índia, Coreia do Sul, Rússia e África do Sul também serão afetados. No caso brasileiro, o governo avalia que o segmento automotivo tende a sofrer impacto limitado, pois há acordo setorial de livre comércio em vigor entre os dois países. Mesmo assim, Brasília teme que o aumento de tarifas reduza preferências já existentes em outros setores, dependendo das listas finais de produtos.

Diálogo em curso

Segundo o comunicado, autoridades brasileiras mantêm contato com o governo mexicano para discutir os potenciais efeitos da reforma. A nota destaca que a relação bilateral é guiada por “diálogo franco” e por uma visão estratégica comum, e defende que decisões unilaterais com repercussão comercial considerem a previsibilidade, a segurança jurídica e o aprofundamento da integração produtiva.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que até 15% das exportações brasileiras ao México possam ser atingidas pelas novas tarifas e reforça a necessidade de intensificar a interlocução entre os dois governos.

Tramitação acelerada

O projeto foi aprovado em regime de urgência no Senado mexicano por 76 votos favoráveis, cinco contrários e 35 abstenções. Parlamentares que se abstiveram criticaram a celeridade da análise e alertaram para risco de pressões inflacionárias. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, apoia a iniciativa e deve sancioná-la nos próximos dias.

Cenário externo

A decisão ocorre às vésperas da revisão, marcada para 2026, do acordo de livre comércio entre México, Estados Unidos e Canadá. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem acusado o México de ser rota de entrada de produtos chineses no mercado norte-americano. Já o governo chinês criticou as novas tarifas, classificando a medida como protecionista.

Participação do México nas vendas brasileiras

Embora represente 2,25% das exportações totais do Brasil, o México figura como sexto maior destino das vendas externas brasileiras entre janeiro e novembro de 2025, totalizando cerca de US$ 7 milhões no período.

O Itamaraty e o MDIC reiteraram que continuarão engajados em um diálogo “construtivo” para preservar o ambiente de cooperação e garantir condições favoráveis ao comércio e aos investimentos bilaterais.

Fonte: Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.