A produção de amendoim em Sergipe permanece ativa durante todos os meses graças aos seis perímetros irrigados mantidos pelo Governo do Estado, administrados pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse). De janeiro a agosto deste ano, as áreas de Jacarecica I, em Itabaiana, e Piauí, em Lagarto, registraram colheita em 73,25 hectares — alta de 25,6% ante o mesmo intervalo de 2024 — gerando 310 toneladas de vagens para cozimento, 31% a mais, e receita de R$ 1,75 milhão, avanço de 27%.
Produção contínua desde 1987 em Lagarto
No perímetro Piauí, criado em 1987, a irrigação garante plantio constante do amendoim cozido, declarado patrimônio cultural e imaterial de Sergipe em 2021. Em 2024, o conjunto dos cinco perímetros ainda ativos — Califórnia, Jabiberi, Jacarecica I, Jacarecica II e Piauí — somou 169,4 hectares cultivados com a leguminosa, totalizando 794,6 toneladas de vagens e renda de R$ 4,48 milhões aos irrigantes.
O diretor de Irrigação da Coderse, Júlio Leite, destaca que o cultivo é estimulado porque agrega valor ao produto: “Como quase toda a produção vai para o amendoim cozido, muitos produtores cozinham a própria safra e a dos vizinhos, vendendo o alimento pronto para consumo”. Segundo ele, a cultura também ajuda a repor nutrientes no solo entre uma lavoura e outra.
Depoimentos de quem vive da lavoura
Com 22 anos, Antônio Barbosa administra 4,8 hectares em Lagarto e já iniciou a colheita de fim de ano. “Tudo o que tenho saiu da roça. Antes do perímetro, a gente dependia da chuva”, relata. Para dar conta da demanda, o agricultor contratou mão de obra temporária.
Raimundo Lisboa, o Cacá, cultiva 2,1 hectares e afirma que a estrutura permitiu formar os dois filhos: um policial militar e um dentista. Na última safra, colheu 237 baldes de 12 litros e lucrou cerca de R$ 2 mil. Com ciclo de três meses, ele já iniciou novo plantio sem intervalo na mesma área.
Francisco Saturnino dos Santos, o Chiquinho de Neusa, de 82 anos, mantém 7,5 hectares com apoio de dois filhos. Cada colheita rende, em média, R$ 5 mil. Já Aguinobaldo José do Nascimento, o Badinho, cultiva 0,6 hectare e prevê colher em até 30 dias: “Se não fosse a irrigação, só plantaríamos no inverno; agora colhemos o ano inteiro”.
Impacto econômico e assistência técnica
Em 2024, o perímetro de Lagarto somou produção geral de 11 mil toneladas — crescimento atribuído, em parte, à instalação de novas motobombas que reforçaram o sistema de irrigação. Além de água, a Coderse oferece suporte para adoção de tecnologias como fertirrigação e plasticultura, possibilitando diversificar as lavouras com milho verde, abóbora, tomate e outras culturas.
Atualmente, a estatal administra seis perímetros: Califórnia (Canindé do São Francisco), Jabiberi (Tobias Barreto), Jacarecica I (Itabaiana), Jacarecica II (Malhador, Areia Branca e Riachuelo), Piauí (Lagarto) e Poção da Ribeira (Itabaiana). Esses projetos garantem oferta contínua de amendoim, alimento de forte demanda no estado, e reforçam a geração de emprego e renda no campo.
Fonte: Governo de Sergipe
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



