Ex-presidente do Inep defende uso de inteligência artificial na elaboração de questões do Enem

William Kevim
3 Min Leitura

A ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) Maria Helena Guimarães de Castro sugeriu que, no futuro, a criação das questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seja feita por meio de inteligência artificial (IA). A proposta, segundo ela, reduziria a participação humana no processo e diminuiria o risco de vazamentos.

A discussão ganhou força após o Inep anular três das 180 questões do Enem 2025. A decisão ocorreu depois de o estudante de medicina Edcley Teixeira, da Universidade Federal do Ceará (UFC), apresentar em uma transmissão ao vivo perguntas muito semelhantes às que apareceram na prova. Ele afirmou ter encontrado os itens no Prêmio Capes Talento Universitário, avaliação usada como pré-teste pelo Ministério da Educação (MEC).

Pré-teste em debate

Maria Helena, que presidiu o Inep de 1995 a 2002, destacou que o pré-teste é “obrigatório” para calibrar as questões com base na Teoria de Resposta ao Item (TRI), mas reconheceu que essa etapa envolve muitas pessoas e amplia a chance de quebra de sigilo. “Todo pré-teste é um risco muito grande”, afirmou.

De acordo com a professora, uma ferramenta de IA poderia modelar cada questão conforme o nível de dificuldade indicado pela TRI, dispensando a aplicação prévia a um grupo de alunos. “Não é algo para o ano que vem, exige pesquisa e investimento, mas já ocorre em outros países”, disse.

Medidas do Inep

Após a divulgação das questões semelhantes, o Inep manteve a “isonomia, lisura e validade” do exame, anulou três itens e chamou a Polícia Federal para investigar possível quebra de confidencialidade. O instituto informou que “nenhuma questão foi apresentada tal qual na edição de 2025” e apontou apenas “similaridades pontuais”.

Procurado sobre a segurança do Enem, o Inep enviou apenas o link de sua nota oficial. Já o MEC não respondeu sobre a participação do estudante no prêmio da Capes até a publicação da reportagem.

Maria Helena concorda com a anulação restrita a três perguntas e avalia que cancelar toda a prova seria desnecessário. “O Inep faz um trabalho muito grande para garantir a segurança”, afirmou.

Fonte: Noticias ao Minuto

Compartilhe essa Notícia
William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.