São Paulo, 17 – Uma auditoria interna revelou que o Corinthians precisou recorrer ao uniforme reserva na vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense, em 13 de setembro, no Maracanã, por falta de camisas brancas em quantidade suficiente para todos os jogadores.
O relatório mostra que, antes da partida do Campeonato Brasileiro, estava acordado que ambos os clubes vestiriam seus trajes principais. Funcionários do Corinthians, porém, constataram a escassez de camisas brancas. O gerente administrativo Rafael Salomão acionou a Nike em caráter urgente, mas não havia tempo para a entrega. A solução foi solicitar ao Fluminense liberação para que as duas equipes atuassem com os segundos uniformes, pedido que foi aceito.
Auditoria expõe falhas de planejamento
O documento aponta ausência de critérios técnicos e falta de planejamento nos pedidos feitos pelo clube à fornecedora. Em janeiro de 2025, o Corinthians requisitou cerca de 20 mil itens de uma só vez, volume considerado excessivo, enquanto peças essenciais, como a camisa titular, acabaram em falta durante a temporada.
Segundo o relatório, a indisponibilidade no duelo contra o Fluminense foi consequência direta da inexistência de controle de giro de estoque e de um estoque de segurança estruturado.
Desvios e vendas ilegais
Com 94 páginas, a auditoria também identificou desvios de camisas e comercialização irregular de materiais da Nike dentro do clube. Os auditores registraram que as categorias de base ficaram sem uniformes ou utilizaram peças em mau estado, apesar de o Corinthians ter ultrapassado em quase 300% a cota anual de itens solicitados à fornecedora.
O relatório aponta retirada irregular de 131 itens em nome do vice-presidente Armando Mendonça e a venda de três camisas oficiais por um funcionário, que recebeu R$ 300 via Pix. A prática foi confirmada após denúncia anônima e compra controlada realizada em 11 e 13 de outubro de 2025.
Procedimentos no Conselho e investigação criminal
O presidente do clube, Osmar Stábile, entregou o relatório ao presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, que o encaminhou à Comissão de Justiça para ouvir os envolvidos e elaborar parecer.
O Ministério Público de São Paulo também foi acionado. O promotor Cássio Roberto Conserino requisitou a abertura de inquérito na Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade) para investigar os desvios.
Defesa do vice-presidente
Em nota, Armando Mendonça negou ser responsável pela gestão dos materiais Nike e afirmou que passou a ajudar no sistema de aprovação de retiradas para dar transparência após o afastamento do ex-presidente Augusto Melo. “Nunca foi minha responsabilidade definir a política de distribuição. Minha função é analisar pedidos extras junto ao departamento administrativo”, declarou.
O dirigente classificou como “desconectadas da verdade” as acusações de que teria comandado desvios.
As apurações administrativas e criminais seguem em andamento.
Fonte: Futebol Interior
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