Moderadores no Brasil recebem R$ 2,1 mil para rastrear pedofilia e incentivo à automutilação no Roblox

William Kevim
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SÃO PAULO (SP) – Funcionários contratados pela Concentrix, multinacional californiana de terceirização de serviços, recebem um piso de R$ 2.100 mensais para analisar contas suspeitas de pedofilia, pornografia infantil, incentivo à automutilação e outras violações nas interações do jogo on-line Roblox.

O trabalho é realizado em um edifício na Barra Funda, zona oeste da capital paulista, onde operadores de call center revisam mensagens, imagens e itens de avatar gerados por usuários, muitos deles crianças e adolescentes. A equipe não é vinculada diretamente à plataforma de jogos, mas à Concentrix, que mantém operações de atendimento ao cliente no Brasil.

Duas pessoas que atuam ou atuaram como moderadores confirmaram à Folha de S.Paulo a rotina de revisão de conteúdo. Elas pediram anonimato por terem assinado acordos de confidencialidade. Nem a Concentrix nem o Roblox comentaram o assunto.

Vagas e exigências

Anúncios recentes no LinkedIn detalham o salário, benefícios como vale-alimentação, assistência médica e descontos em cursos, além de áreas de descanso com jogos e streaming. As vagas exigem nível intermediário de inglês ou espanhol, mas os moderadores relatam lidar também com diálogos em alemão e outros idiomas.

Como funciona a triagem

Contas suspeitas chegam aos moderadores após um filtro de inteligência artificial identificar palavras-chave. Cada funcionário tem cerca de 15 minutos para revisar um perfil, meta que pressiona por alta produtividade. Há divisões por tipo de infração, como exploração de menores, extremismo violento ou discurso de ódio.

Ao confirmar violação, o moderador não aciona autoridades locais; o caso é encaminhado ao National Center for Missing & Exploited Children (NCMEC), órgão norte-americano que decide se envia denúncia oficial.

Jornada e saúde mental

Para garantir cobertura 24 h, a operação se divide em três turnos, incluindo madrugada. Psicólogos de plantão, localizados fora do Brasil, prestam suporte diante do risco de estresse pós-traumático causado pela exposição contínua a conteúdo sensível.

Custos e comparação internacional

Em teleconferência com investidores, o CEO da Concentrix, Chris Caldwell, afirmou que o Brasil tem custos maiores que Índia, Vietnã ou Indonésia, mas compensa pelo tamanho do mercado interno. Anúncios da empresa na Índia e nas Filipinas oferecem remuneração semelhante à brasileira. Já na Califórnia, sede de ambas as companhias, o salário mínimo é de US$ 16,50 por hora (mais de R$ 15 mil mensais para jornada de oito horas).

Legislação prestes a mudar

O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) entrará em vigor em março de 2025 e exigirá que jogos on-line com interação mantenham equipes de moderação e enviem relatórios à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), o que deve ampliar a demanda por serviços como os da Concentrix.

A francesa Teleperformance, principal rival da companhia, também presta moderação no Brasil e já enfrentou investigação na Colômbia sobre impactos psicológicos do trabalho, concluída em 2023 sem acusação formal.

Fonte: Notícias ao Minuto

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.