Familiares das vítimas do incêndio no Ninho do Urubu veem “grave falha” na absolvição de réus

Rafael Ramos
3 Min Leitura

Rio de Janeiro – Pais e parentes dos dez adolescentes mortos no incêndio do Centro de Treinamento George Helal, o Ninho do Urubu, contestaram nesta quinta-feira (23) a decisão da 36ª Vara Criminal da capital fluminense que absolveu, em primeira instância, os sete réus acusados de incêndio culposo e lesão corporal grave.

Em manifestação pública, a Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu (Afavinu) classificou a sentença como “afronta à memória das vítimas” e “grave falha da Justiça”. A entidade informou que buscará a revisão da decisão em instâncias superiores.

Decisão judicial

O juiz Tiago Fernandes Barros entendeu que não há provas de participação direta dos acusados no acidente ocorrido em 8 de fevereiro de 2019, quando um aparelho de ar-condicionado pegou fogo em contêineres usados como alojamento da base do Flamengo. Ele ressaltou que a responsabilidade criminal não pode ser atribuída apenas pelo cargo ocupado sem comprovação de conduta determinante.

Foram absolvidos Antônio Márcio Mongelli Garotti, Marcelo Maia de Sá, Edson Colman da Silva, Cláudia Pereira Rodrigues, Danilo da Silva Duarte, Fábio Hilário da Silva e Weslley Gimenes. O ex-presidente do clube, Eduardo Carvalho Bandeira de Mello, teve a punibilidade extinta pelo tempo transcorrido.

Recurso do Ministério Público

Em nota, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) confirmou que recorrerá da sentença. A Defensoria Pública estadual lembrou que, na esfera cível, o Flamengo continua respondendo a uma ação que pede indenização às famílias e dano moral coletivo de, no mínimo, R$ 20 milhões destinados ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.

Incêndio e vítimas

No momento do incêndio, 26 atletas das categorias de base dormiam no alojamento improvisado. Dez jovens, com idades entre 14 e 16 anos, morreram: Athila Paixão, Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo Santos, Pablo Henrique da Silva Matos, Rykelmo de Souza Vianna, Samuel Thomas Rosa e Vitor Isaías. Outros três ficaram feridos.

Posicionamento do clube

Até a publicação desta matéria, o Clube de Regatas do Flamengo não havia se pronunciado sobre a absolvição dos réus na esfera criminal, nem divulgou nota em seus canais oficiais.

Fonte: Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.