São Cristóvão (SE) – A Praça São Francisco, no centro histórico de São Cristóvão, celebra 15 anos de reconhecimento pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Cultural da Humanidade. O título, concedido em 1º de agosto de 2010, consolidou o sítio sergipano como o 11º bem brasileiro inscrito na lista mundial e intensificou a visitação turística na quarta cidade mais antiga do País.
Conjunto arquitetônico colonial
No quadrilátero da praça, fundado em 1590, edificações exibem técnicas construtivas portuguesas e espanholas herdadas do período da União Ibérica. O complexo reúne a Casa da Misericórdia, a Igreja e Convento São Francisco, o Museu de Arte Sacra, a Casa do Folclore, a Biblioteca Pública, a Casa do Iphan e quatro residências históricas. O antigo Palácio Provincial, hoje Museu Histórico de Sergipe, integra o conjunto após reforma de R$ 1.428.171,13 executada pela Companhia Estadual de Habitação e Obras Públicas (Cehop) e entregue em agosto.
Reforma do museu
O projeto contemplou restauração interna e externa do prédio do século XVIII, além da conservação de peças de mobiliário, numismática, artes plásticas e armaria. A instituição, a mais antiga do estado, voltou a abrir as portas em 1º de agosto de 2025 sob gestão da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap).
Impacto no turismo e na economia
De acordo com o diretor-presidente da Funcap, Gustavo Paixão, a chancela da Unesco transformou a praça em “vetor fundamental” para o turismo cultural, gerando empregos e fortalecendo a educação local. Moradores confirmam o efeito. O mototaxista Gilvan de Andrade, 54 anos em São Cristóvão, afirma que a valorização do patrimônio aumentou a renda da população. A empresária Maíra de Oliveira, proprietária de café e pousada, destaca o encantamento de visitantes diante das fachadas coloniais.
Reconhecimento internacional
Para a secretária de Articulação e Comitês de Cultura do Ministério da Cultura, Roberta Cristina Martins, a combinação de influências portuguesas e espanholas confere ao local caráter “quase único no mundo”. Já o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Eduardo Oliva, lembra que a cidade passou a receber artistas nacionais há cinco décadas, tornando-se “caixa de ressonância” da cultura sergipana.
A ex-superintendente do Iphan em Sergipe, historiadora Terezinha Oliva, ressalta que integrar a lista da Unesco significa preservar um “tesouro da humanidade” para as gerações futuras.
O Brasil possui atualmente 23 bens inscritos pela Unesco, dos quais 15 são culturais. A Praça São Francisco é o único Patrimônio Mundial em Sergipe.
Fonte: Governo de Sergipe
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