O Governo de Sergipe intensificou, neste ano, políticas públicas que buscam conciliar o uso de dispositivos eletrônicos com atividades presenciais de lazer e convivência familiar. Iniciativas como o Programa Ser Criança, as vilas temáticas, brinquedopraças e a Estação Acolher compõem a estratégia estadual voltada ao desenvolvimento integral das crianças.
Plano estadual prioriza mapeamento do tempo de tela
Criada em 2023, a Política Estadual de Atenção Integrada à Primeira Infância – Ser Criança estabeleceu um plano com seis eixos, um deles dedicado ao mapeamento da exposição infantil às telas. Segundo a diretora de Atenção Integral à Primeira Infância da Secretaria de Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic), Helga Muller, o governo tem direcionado esforços para reduzir o tempo prolongado diante de celulares, computadores e televisores.
Entre as ações, destacam-se as Vilas da Criança, da Páscoa e do Natal, que oferecem brincadeiras lúdicas acompanhadas pelos responsáveis. O Festival Vem Ser Criança e as brinquedopraças — a mais recente inaugurada em Propriá — levam espaços de lazer a vários municípios. Já a Estação Acolher, montada no Arraiá do Povo, atende catadores, ambulantes e suas famílias com atividades socioeducativas.
Parcerias federais reforçam educação digital
O Estado também aderiu ao Guia para Usos de Dispositivos Digitais, lançado em parceria com o Governo Federal, que fornece orientações a pais, professores e profissionais da rede de proteção. Outro instrumento citado por Helga Muller é o ECA Digital. A Lei 15.211/25, sancionada em 17 de setembro, cria uma agência dedicada à segurança da primeira infância no ambiente on-line.
Orientações às famílias
A secretária da Seasic, Érica Mitidieri, ressalta que “equilíbrio digital não é proibir, e sim educar com empatia e limites possíveis”. Ela recomenda combinar horários, ativar controles parentais e priorizar leitura, esporte e brincadeiras ao ar livre.
Na mesma direção, Helga Muller orienta responsáveis a se reconectarem com os filhos sempre que perceberem excesso de tempo de tela. “Procurem parques, praças e praias; quem dá o tom somos nós”, disse.
Mobilização da sociedade civil
Fora do poder público, o Movimento Desconecta reúne pais e educadores para adiar o acesso de crianças aos smartphones até 14 anos e às redes sociais até 16 anos. “Não somos contra a tecnologia, defendemos maturidade e equilíbrio”, afirmou Mirella Dornelas, uma das líderes do grupo em Sergipe.
A psicóloga Renata Machado alerta que o celular tem funcionado como “chupeta digital” para famílias exaustas, enquanto a pediatra Maria Eduarda Cunha lembra que o uso precoce das telas afeta fala, visão, saúde cardiovascular e emocional.
Para o governo estadual, mobilizações como a do Desconecta reforçam projetos como a Vila da Criança, em funcionamento na Orla da Atalaia, que combina teatro, cinema, brinquedos acessíveis, minicidade e arena gamer com foco no uso responsável da tecnologia.
Fonte: Governo de Sergipe
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