Israel intercepta última embarcação da Flotilha Global Sumud e detém 461 ativistas

Robson Alves
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O Movimento Global à Gaza informou que todas as embarcações da Flotilha Global Sumud foram interceptadas por forças navais israelenses. A última ação ocorreu às 4h29 (horário de Brasília) desta sexta-feira (3), quando o barco Marinette foi abordado e seus tripulantes detidos. Ao todo, 461 pessoas foram capturadas.

Imagens divulgadas pelo movimento nas redes sociais mostram um integrante avisando que um navio militar estava a cerca de cinco minutos de distância e, posteriormente, o momento em que soldados abordam a embarcação.

Brasileiros capturados

Entre os detidos há 15 brasileiros, número revisado pelo movimento após retificação de dados. Os últimos a serem capturados foram Nicolas Calabrese, Hassan Massoud, João Aguiar e Miguel de Castro. Também fazem parte da missão humanitária Thiago de Ávila e Silva Oliveira; a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE); a vereadora de Campinas (SP) Mariana Conti (PSOL); Bruno Gilga; Lisiane Proença Severo; Magno de Carvalho Costa; Ariadne Catarina Cardoso Teles; Mansur Peixoto; Gabrielle da Silva Tolotti; Mohamad Sami El Kadri e Lucas Farias Gusmão.

Posição do Itamaraty

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro condenou “nos mais fortes termos” a interceptação em águas internacionais e classificou a detenção dos ativistas, entre eles a deputada Luizianne Lins, como arbitrária. O governo brasileiro informou ter notificado formalmente Israel por meio das embaixadas em Tel Aviv e em Brasília.

Procedimentos israelenses

O Ministério das Relações Internacionais de Israel divulgou fotos de alguns detidos e declarou que está conduzindo o processo de deportação. Segundo a pasta, quatro cidadãos italianos já foram retirados do país, e os demais também serão deportados. O governo israelense nega manter cerco à Faixa de Gaza e afirma que a ajuda humanitária poderia ter sido entregue “de forma pacífica”.

Assistência jurídica

Os ativistas são representados pelo Centro Jurídico para os Direitos das Minorias Árabes em Israel (Adalah). De acordo com o movimento, todos foram levados para a prisão de Kesdiot, no deserto do Negev, a cerca de 30 quilômetros da fronteira egípcia. Poucos aceitaram assinar o “Pedido de Saída Imediata”, documento que acelera a liberação, mas reconhece entrada ilegal em Israel e impõe banimento de mais de 100 anos. Sem a assinatura, a lei israelense permite detenção de até 72 horas.

Durante interrogatórios, dois ministros israelenses, entre eles Itamar Ben-Gvir, visitaram os detidos, segundo relato dos advogados. O movimento interpreta a presença das autoridades como tentativa de intimidação.

Greve de fome

Alguns participantes iniciaram greve de fome em protesto. A ação é classificada pelo movimento como estratégia de desobediência civil utilizada por grupos em situação de vulnerabilidade.

Nova flotilha a caminho

Paralelamente, a Freedom Flotilla Coalition lançou nova missão com nove embarcações partindo da Europa em direção à Faixa de Gaza. Até o momento não há confirmação de brasileiros a bordo.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.