Na sessão plenária desta quinta-feira, 18 de setembro de 2025, o deputado Georgeo Passos (Cidadania) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa de Sergipe para criticar o modelo adotado pelo Governo do Estado na gestão da Saúde, especialmente a contratação de organizações sociais (OS) para administrar unidades hospitalares.
Denúncias sobre organização social
O parlamentar relatou denúncias apresentadas pelo Sindicato dos Médicos de que o endereço da OS responsável pelo Hospital da Criança não constaria na base da Receita Federal, sugerindo possível irregularidade. “A Secretaria de Estado da Saúde diz que sua responsabilidade é apenas fiscalizar se os serviços são prestados. Porém, diante da denúncia de inexistência de endereço, é preciso mais clareza”, afirmou Passos.
Ele lembrou que organizações sociais já estiveram envolvidas em escândalos em outros estados e cobrou atenção dos órgãos de controle. “Tenho certeza de que o Sindicato não faria uma denúncia sem provas”, completou.
Saída de médicos e falta de pediatras
Passos acrescentou que médicos estariam deixando o Hospital da Criança por insatisfação com a forma de contratação oferecida pela OS. “É inadmissível que um hospital infantil não tenha pediatras. Já discutimos problemas em ortopedia pediátrica e a qualidade do serviço caiu desde que a OS assumiu”, disse.
Defesa do Governo
Líder do Governo na Casa, o deputado Cristiano Cavalcante (União) defendeu o processo de escolha da entidade, realizado por chamamento público. “A Associação Boituva venceu de forma legal. Se houve contratações questionadas, o Governo tem o dever de fiscalizar, e está fiscalizando”, declarou.
Para esclarecer dúvidas, Cavalcante convidou parlamentares da base e da oposição para visitar o Hospital da Criança às 11h do mesmo dia. “Queremos ouvir a OS, entender a forma de contratação e buscar encaminhamentos”, explicou.
Ranking de Transparência
Durante o debate, Georgeo Passos apresentou dados de um estudo da Faculdade de Direito da USP que colocaram Sergipe em último lugar no Ranking de Transparência dos Governos Estaduais, com cumprimento de 66,2% dos requisitos em 2023 — queda em relação aos 81,8% alcançados em 2022. Segundo o deputado, faltam informações claras sobre gastos em saúde, educação e previdência.
O deputado Adailton Martins (PSD) contestou a avaliação. “Esse ranking não reflete a realidade. Existem diversos estudos e cada um apresenta resultados diferentes. O Governo tem trabalhado para avançar em transparência”, argumentou.
No plenário, Martins ironizou a utilização dos dados pela oposição: “Quando se quer, mostra que Sergipe está em primeiro; quando não quer, diz que está em último. A transparência no Estado é um fato”.
Fonte: Assembleia Legislativa de Sergipe
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