Na noite de sábado (13), Lionel Richie tomou o Palco The One, no The Town, e o transformou em um grande templo da música pop. Não foi apenas um show, mas uma celebração carregada de afeto, memória e paixão, em que cada canção parecia costurar o passado ao presente.
Com “Hello”, logo na abertura, Richie entregou-se ao piano enquanto o público, em coro emocionado, assumia as notas mais agudas — um encontro de vozes que já anunciava o tom da noite. Em “Easy” e “Say You, Say Me”, o artista escolheu a delicadeza: versões sóbrias, quase em prece, que convidaram a plateia à introspecção.
O clima contemplativo, no entanto, cedeu lugar à festa em momentos de pura vibração. Quando vieram “All Night Long (All Night)” e “Sail On”, Richie fez da multidão uma só pista de dança, mesclando soul, groove e pop em uma energia que atravessou gerações.
Mas o ápice poético veio com “We Are The World”, composição ao lado de Michael Jackson. Antes de iniciá-la, Richie falou sobre união, e a música se transformou em catarse coletiva, num coro que mais parecia um abraço gigante envolvendo artista e público.
Mesmo em um festival grandioso, Lionel Richie soube criar intimidade: pausas para conversar, olhares cúmplices e momentos só ao piano deram ao espetáculo o calor de um encontro entre velhos amigos.
Aos 76 anos, ele provou que a idade não apaga a chama de quem domina a arte com leveza e verdade. Richie não revisitou apenas sucessos — ele celebrou a própria história, a música e as pessoas que a mantêm viva. No The Town, deixou claro: seu lugar não é coadjuvante, mas eternamente no palco principal.
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