Folhetos lançados por aviões israelenses nesta terça-feira (9) instruíram os moradores da Cidade de Gaza a abandonar a região, operação que desencadeou medo e confusão entre a população local. O Exército de Israel diz preparar um ataque “para obliterar” a área, considerada por Tel Aviv um dos últimos redutos do Hamas.
Maior centro urbano da Faixa de Gaza, o local abrigava cerca de 1 milhão de pessoas antes da guerra, iniciada em outubro de 2023. Desde então, grande parte da cidade foi reduzida a escombros por bombardeios contínuos.
Pressão para evacuar
“Eu digo aos residentes de Gaza que aproveitem esta oportunidade e me escutem: vocês foram avisados — saiam de lá!”, declarou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em mensagem pública. Os panfletos orientam que a população se dirija à zona considerada “humanitária” em Al-Mawasi, no sul do enclave, já superlotada e também alvo de ataques frequentes.
Muitos residentes afirmam não ter para onde fugir. “Não há mais lugar, nem no sul, nem no norte, nada. Ficamos completamente presos”, relatou o paciente com câncer Bajess al-Khaldi, que vive em um acampamento improvisado na cidade.
Hospitais sob ameaça
As autoridades de saúde de Gaza anunciaram planos de evacuar os hospitais Al Shifa e Al Ahli — os dois principais ainda em funcionamento na Cidade de Gaza. Médicos informaram que permanecerão com os pacientes enquanto possível.
Deslocamento contínuo
A maioria dos habitantes já foi obrigada a deixar suas casas várias vezes desde o início do conflito. Organizações locais estimam mais de 64 mil mortos em quase dois anos de ofensiva israelense, número contestado por Israel, que nega acusações de genocídio. O governo israelense sustenta agir em legítima defesa após o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, que matou 1.200 pessoas e resultou na captura de 251 reféns, segundo dados oficiais israelenses.
Temor de nova “Nakba”
O deslocamento forçado desperta entre palestinos o receio de repetição da “Nakba” de 1948, quando centenas de milhares deixaram suas terras durante a guerra que culminou na criação do Estado de Israel. “A escolha agora é ficar e morrer em casa ou seguir as ordens de Israel e morrer no sul”, disse Um Samed, 59 anos, mãe de cinco filhos.
Com boa parte da Faixa em ruínas e a fome se agravando, não havia sinais de um êxodo em massa até o início da noite, mas o clima era de crescente tensão entre quem ainda resiste nos escombros da Cidade de Gaza.
Fonte: Agência Brasil
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