Quem: sonda Juno, da NASA.
O quê: pode ter as operações interrompidas.
Quando: a partir de setembro de 2023, término da fase estendida.
Onde: órbita de Júpiter.
Como: falta de verba para nova extensão da missão.
Por quê: proposta de orçamento da Casa Branca reduz fundos para ciência planetária.
14 anos de exploração em risco
Lançada em 5 de agosto de 2011, a Juno chegou a Júpiter em 4 de julho de 2016 e tornou-se o segundo orbitador dedicado ao planeta, após a missão Galileo (1989-2003). A fase principal durou 35 órbitas, nas quais a sonda se aproximou até cerca de 5 000 km do topo das nuvens jovianas, enfrentando intenso cinturão de radiação protegido por um invólucro de titânio.
Descobertas sobre o interior do gigante gasoso
Medindo variações no campo gravitacional, a Juno revelou que Júpiter possui um núcleo difuso, parcialmente misturado às camadas superiores, contrariando modelos anteriores que previam um núcleo denso ou inexistente. A câmera infravermelha e a JunoCam — adicionada de última hora — forneceram imagens inéditas dos polos do planeta, onde tempestades persistentes ainda intrigam os cientistas.
Extensão voltada às luas
Em julho de 2021, a NASA prolongou a missão até setembro de 2025, permitindo sobrevoos de Ganimedes, Europa e Io. Dados recentes indicam que Io abriga bolsões de magma subterrâneo, em vez de um oceano global.
Planos futuros ameaçados
O cientista-chefe Scott Bolton, do Southwest Research Institute, defende uma nova extensão até outubro de 2028, que incluiria passagens rasantes por Tebe, Amalteia, Adrasteia e Métis. Segundo ele, além da ciência, a Juno oferece lições sobre como sistemas espaciais podem resistir à radiação, informações consideradas estratégicas.
Contudo, a proposta orçamentária da Casa Branca para 2024 reduz em 47% os recursos de ciência planetária e prevê o cancelamento de 41 missões em andamento, entre elas a Juno. Sem decisão do Congresso para reverter o corte, a operação pode ser encerrada nas próximas semanas, apesar de a espaçonave permanecer em boas condições e ter combustível para continuar trabalhando.
Fonte: Notícias ao Minuto
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