Defesa brasileira acompanha risco de crise EUA-Venezuela atingir a fronteira, afirma José Múcio

Robson Alves
3 Min Leitura

Brasília – O ministro da Defesa, José Múcio, declarou que o governo brasileiro está atento à possibilidade de a crescente tensão entre Estados Unidos e Venezuela ter reflexos na fronteira com o Brasil. Segundo ele, as Forças Armadas já reforçaram o contingente na região amazônica antes mesmo da escalada verificada nas últimas semanas.

“Estamos preocupados para que nossa fronteira não se transforme numa trincheira. O Brasil é um país pacífico; investimos em armamentos para proteger nosso patrimônio, não para avançar sobre ninguém”, afirmou o ministro na sexta-feira (5), após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Operação permanente e novos deslocamentos

Múcio destacou que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica mantêm operações contínuas na fronteira com a Venezuela e que, ainda em 2024, já estava prevista a realização da Operação Atlas. O plano envolve enviar efetivos a áreas de difícil acesso, ação que ganhou novo peso diante do agravamento da disputa entre Caracas e Washington.

“Estamos deslocando tropas pensando na COP30 e em oferecer mais assistência a trechos inóspitos da fronteira. Quando o problema explodiu, já estávamos lá”, explicou.

Em dezembro de 2023, o governo brasileiro havia enviado militares ao limite com a Venezuela por causa da disputa entre Caracas e Guiana pela região de Essequibo.

“Briga de vizinho”

Comparando o conflito a “briga de vizinho”, o ministro lembrou que o Brasil não quer interferência externa em seu território. Nesta semana, o país assinou, ao lado da maioria das nações da América Latina e do Caribe, um documento manifestando preocupação com a presença militar norte-americana no litoral venezuelano.

Navios, caças e acusações

A administração de Donald Trump deslocou navios de guerra e um submarino para próximo da Venezuela alegando combate ao narcotráfico, acusando o presidente Nicolás Maduro de liderar um cartel de drogas. Caracas nega e sustenta que Washington tenta promover mudança de regime no país que possui as maiores reservas de petróleo do mundo.

No sábado (6), Maduro pediu aos Estados Unidos que reduzam as tensões e respeitem a soberania venezuelana. Dois dias antes, o Departamento de Defesa norte-americano acusou a Força Aérea da Venezuela de sobrevoar um navio dos EUA em águas internacionais, classificando o ato como “altamente provocador”.

Após o episódio, agências internacionais informaram que Washington enviou dez caças F-35 à base de Porto Rico para reforçar operações contra cartéis de drogas no sul do Caribe. Na terça-feira (2), Trump divulgou vídeo de um ataque a embarcação supostamente carregada de drogas perto da costa venezuelana que teria deixado 11 mortos; o governo Maduro alega que a gravação foi manipulada com inteligência artificial.

Fonte: Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.