Martin De Luca, advogado norte-americano que representa a plataforma de vídeos Rumble e o Trump Media & Technology Group, recebeu pedido de orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre como “reagir” ao chamado “tarifaço”, segundo relatório da Polícia Federal (PF). O documento foi tornado público nesta quarta-feira (21).
Quem é Martin De Luca
Formado em Direito pela Universidade Fordham, em Nova York, em 2010, De Luca é sócio do escritório Boies Schiller Flexner e chefia a área de Clientes Privados Internacionais na sede da firma, em Manhattan. Fluente em português, atuou no Brasil por cinco anos e descreve, em seu perfil no LinkedIn, experiência em litígios multijurisdicionais, assessoria a líderes políticos e aconselhamento em estratégias de segurança nacional. Antes de ingressar na advocacia privada, foi promotor no Departamento de Justiça dos Estados Unidos, também em Nova York.
Relação com Bolsonaro
De acordo com a PF, a solicitação de Bolsonaro demonstra alinhamento a interesses externos e tentativa de utilizar medidas de outro governo “em benefício próprio”. O advogado não é investigado. Em uma postagem na rede X (antigo Twitter), De Luca afirmou que a polícia tenta retratar uma “correspondência profissional rotineira” como prova de “subordinação estrangeira” e classificou a iniciativa como “manobra desesperada” para preservar a imagem do ministro Alexandre de Moraes.
Ações contra Alexandre de Moraes
O advogado representa a Rumble e a Trump Media & Technology Group em um processo aberto nos Estados Unidos contra Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). As empresas alegam censura e pedem que ordens emitidas pelo magistrado para derrubar contas de usuários da Rumble não sejam reconhecidas em território norte-americano.
Indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro
O relatório que cita De Luca integra a investigação na qual Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foram indiciados por coação em processo penal relacionado à tentativa de golpe de Estado. A PF vê na troca de mensagens indícios de que o ex-presidente tentou mobilizar atores estrangeiros para interferir em questões internas do Brasil.
Imagem: Internet
O que é o Rumble
Lançada em 2013, a Rumble é uma plataforma de vídeos com interface semelhante à do YouTube e popular entre grupos conservadores nos EUA. A empresa ganhou notoriedade após os eventos de 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Donald Trump invadiram o Capitólio. Depois que grandes redes sociais restringiram conteúdos que violavam suas políticas, muitos usuários migraram para o serviço, entre eles o próprio Trump.
Desde então, a Rumble tem se envolvido em controvérsias: em 2022, ofereceu contrato ao podcaster Joe Rogan, e, em 2023, recusou pedido do Parlamento britânico para suspender a monetização do comediante Russell Brand, acusado de agressões sexuais. A plataforma mantém parcerias comerciais com o grupo de comunicação de Trump e recebeu investimentos de aliados do republicano, incluindo o atual vice-presidente dos EUA, J.D. Vance.
Com informações de G1
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