Grupos humanitários internacionais relataram nesta quarta-feira (20) que mantimentos destinados à construção de abrigos seguem barrados antes de entrar na Faixa de Gaza, mesmo após autoridades israelenses declararem o fim das restrições a esse tipo de carga.
Segundo representantes de cinco organizações de ajuda, entre elas agências das Nações Unidas, a liberação anunciada por Israel em 16 de agosto ainda não se traduziu na chegada de itens básicos, como hastes para montagem de tendas. Esses materiais haviam sido classificados por Tel Aviv, durante quase seis meses, como produtos de possível uso dual — civil e militar — e, por isso, estavam retidos.
Obstáculos burocráticos
O porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Jens Laerke, afirmou que “as Nações Unidas e seus parceiros não conseguiram importar materiais de abrigo após o anúncio israelense” e citou a necessidade de liberação alfandegária como principal entrave.
Care International, ShelterBox e Conselho Norueguês de Refugiados confirmaram que continuam sem autorização para transportar suprimentos. Outra ONG estrangeira, que preferiu não ser identificada, relatou tentativa em curso para obter permissão formal.
Situação dos deslocados
Dados da ONU indicam que mais de 1,3 milhão de pessoas em Gaza estão sem barracas adequadas. O número pode crescer com a ofensiva israelense anunciada para a tomada da Cidade de Gaza, quase dois anos após o início do conflito.
Enquanto aguardam ajuda, muitos moradores improvisam moradia em escombros ou estruturas frágeis. “Viver em uma tenda não é vida. Não há banheiro decente nem lugar para sentar; ficamos na rua sob calor sufocante”, contou Ibrahim Tabassi, 55 anos, em Khan Younis, no sul do território.
Imagem: Internet
Na mesma região, Sanaa Abu Jamous relatou utilizar, desde o início da guerra, a mesma cobertura rasgada: “Minha barraca está completamente desgastada”, disse.
Posição israelense
Procurada, a Cogat — órgão militar que coordena a entrada de ajuda em Gaza — não respondeu à agência de notícias. Em ocasiões anteriores, a entidade negou manter restrições e declarou “esforços consideráveis” para assegurar a passagem de suprimentos.
Com informações de Agência Brasil
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