A Foxconn registrou uma mudança inédita no segundo trimestre de 2025: a venda de servidores de inteligência artificial e equipamentos para computação em nuvem passou a representar a maior fatia de seu faturamento, superando a divisão de eletrônicos de consumo, onde estão os iPhones fabricados para a Apple.
Mudança de liderança na receita
Entre abril e junho, os servidores de IA responderam por 41% da receita da companhia taiwanesa, enquanto smartphones e outros eletrônicos de consumo ficaram com 35%. Em 2021, os aparelhos celulares ainda eram responsáveis por 54% do total.
Aposta iniciada antes da febre do ChatGPT
De olho na queda gradual da demanda por novos modelos de iPhone, o presidente do conselho, Young Liu, defende desde 2019 a diversificação para áreas como servidores de IA, veículos elétricos e semicondutores. A estratégia começou bem antes de a tecnologia ganhar projeção mundial com o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022.
A Foxconn produz designs de referência para placas de vídeo da Nvidia desde 2002 e fabrica servidores para data centers de provedores de nuvem desde 2009. Hoje, é a principal fornecedora de servidores de IA para a própria Nvidia.
Participação no mercado global
A companhia afirma deter quase 40% do mercado mundial de servidores — tanto de uso geral quanto voltados a aplicações de IA — e projeta, para o terceiro trimestre, um aumento de 170% na receita desse segmento em relação ao mesmo período de 2024.
“A empresa está nesse negócio há anos, atendendo a requisitos de qualidade mais altos, diversificando locais de montagem e buscando integração vertical”, afirmou Ming-Chi Kuo, analista da TF International Securities.
Imagem: g1.globo.com
Reflexo em outros fabricantes de Taiwan
A virada da Foxconn acompanha um movimento mais amplo no setor de tecnologia taiwanês. A Wistron, também parceira da Nvidia, viu sua receita subir 92,7% entre janeiro e julho, enquanto a Quanta Computer registrou alta de 65,6% no mesmo intervalo. Para Robert Cheng, chefe de pesquisa de hardware da Ásia no BofA Global Research, “o salto mensal nas vendas no primeiro semestre de 2025 evidencia essa tendência”.
Com a nova composição do faturamento, a dependência da Foxconn dos iPhones diminui, ao mesmo tempo em que a empresa consolida presença no mercado de infraestrutura para inteligência artificial.
Com informações de G1
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